Em segunda noite do Ouro Negro Olodum abre o Carnaval do Pelourinho e desfila no Campo Grande

09/02/2018
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Olodum no Pelô - Foto: Almir Santos

O Olodum abrilhantou a abertura do Carnaval do Pelô 2018, nesta sexta-feira (9), segundo dia do Ouro Negro. O bloco rendeu homenagem às divindades das águas, através do tema Deusas das Águas - Oceanos, Rios e Lagos. Encerrado o espetáculo no Centro Histórico, o bloco afro desfilou no Circuito Osmar (Campo Grande). Assim como nas ruas do Pelourinho, os tambores rufaram trazendo as presenças dos orixás Iemanjá e Oxum, ilustrando os movimentos das águas doce e salgada, encantando associados e foliões que assistiram a passagem do bloco. Além da música tema deste ano (Sereia), canções que foram sucesso nesses 39 anos de existência também compuserem o repertório.

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Foto: Lucas Rosário

O governador da Bahia, Rui Costa, acompanhou a saída do bloco, no Pelourinho, e participou da assinatura do documento da parceria entre o Olodum e a companhia aérea Avianca. 'Quem ouve os tambores do Olodum com certeza fica arrepiado, o coração começa a bater no ritmo dos tambores. Hoje começa a programação no Pelourinho, um carnaval que já conquistou corações e mentes. Aqui é um carnaval mais intimista, para crianças, famílias, um carnaval de quem curte uma boa música. Teremos uma programação extensa que fortalece onde o Carnaval nasceu'. O governador também falou da relevância do tema do carnaval: 220 anos da Revolta dos Búzios. 'Hoje a marca do carnaval do Pelourinho, é a lembrança da comemoração, e da atual necessidade do lema da Revolta, que se parece com a Revolução Francesa: de igualdade, fraternidade, de oportunidade para todos', avaliou.

Simbolismo - Quem também marcou presença foi a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana. 'Eu fico muito contente em integrar a história dos blocos afros. O Olodum é de um simbolismo porque apesar do Pelourinho ter sido no passado um espaço de tortura, de sofrimento, os tambores representam na contemporaneidade a resistência, a ancestralidade. A lembrança de que resistimos e vencemos. Os tambores não podem morrer', declara a Secretaria de Cultura do Estado, Arany Santana.

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Olodum no Campo Grande - Foto: André Frutuôso

Para a antropóloga Goli Guerreiro, o Olodum é a história da cidade. 'O Olodum é o emblema de uma cidade que se propagou no mundo inteiro', explica. O presidente do Olodum, João Jorge, pontuou que o empoderamento das mulheres, que também inspira o tema deste ano, vem desde o Antigo Egito, passando pela Nigéria, Peru e povos que vem na água, algo substancial para a humanidade. 'Na Bahia estamos completamente ligados ao mar e as águas doces. Nada melhor do que contar a história de mulheres, a partir desse contexto', finalizou João.

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Foto: André Frutuôso

Sobre o projeto – Um dos projetos do Carnaval da Cultura, o Ouro Negro credenciou neste ano 91 entidades dentre blocos afro e de índio, afoxés e blocos de samba e reggae de Salvador, com objetivo de apoiar seus desfiles nos circuitos da folia. Atualmente gerido pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura, em 2018 o projeto comemora dez anos. Ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.