Sábado de diversidade de ritmos, animação e tradição no Circuito Osmar

10/02/2018
dida
Didá - Foto: Fafá Araújo

Quem chegou logo cedo ao Circuito Osmar (Campo Grande) pôde sentir a animação de blocos que já são considerados tradicionais no carnaval de Salvador. A tarde do terceiro dia de folia trouxe entidades tradicionais como a Didá, o Bloco da Saudade, o Canelight e o Bola Cheia trouxeram o samba-reggae e o autêntico samba pra avenida.

O sol estava a pino quando a força das mulheres adentrou a passarela do Campo Grande para iniciar sua jornada em mais uma edição do carnaval. A Didá, banda criada pelo saudoso Neguinho do Samba, é capitaneada pela percussionista Viviam Caroline que fala emocionada sobre participar de mais um ano da folia. 'É sempre muito emocionante viver esse momento mais uma vez. É um orgulho danado sermos um bloco em que tudo é feito pelas mulheres. A gente toca, a gente geri, a gente se organiza. É muito lindo mostrar isso pro mundo', acredita Viviam que contou também sobre a programação do aniversário da banda que completa 25 anos em dezembro. 'Vamos lançar um livro contando a história da Didá e vamos lançar um DVD até o final do ano', conta.

canelight
Canelight - Foto: Fafá Aarújo

A força da mulher estava estampada no rosto de Elizabeth Oliveira que há três anos desfila com a Didá no carnaval de Salvador. Segundo ela, o sorriso que nunca acabava era de orgulho de participar desse bloco. 'As pessoas precisam ver a força que nós mulheres temos e estamos aqui pra mostrar isso pro mundo todo', disse a foliã.

A animação seguiu no desfile do Bloco da Saudade, onde uma fanfarra dava conta de colocar todo mundo pra dançar, a maioria pessoas idosas com muitas histórias pra contar. Como a folia Edir Assemani que com 80 anos completa 10 anos desfilando no bloco. 'É um bloco familiar, uma energia maravilhosa', conta. Ela estava acompanhada da amiga Ednete Veloso, 74 anos, que vai completar todo o circuito dançando. 'Olhe, nós somos viúvas, mas viúvas alegres e temos mais que aproveitar, né não?', garante.

saudade
Bloco da Saudade - Foto: Fafá Araújo

Logo atrás da saudade, a ala das baianas anunciava a chegada do Canelight, bloco de samba com 17 anos. Uma delas, Euridice Cavalcanti, estava animada para mais um carnaval. 'É meu terceiro ano com o bloco e eu tenho bastante orgulho de me vestir de baiana e chamar atenção para a nossa cultura e a nossa tradicional indumentária', revela. Enquanto as bandas Sangue Brasileiro e Pagode do Vinny faziam o povo sambar atrás do trio, a madrinha do bloco e porta-bandeira, Daisy Silva, reinava em cima do trio. 'Tenho mais de 30 anos curtindo o carnaval e são 15 anos de Canelight. Eu mesmo faço meu figurino, são 5 metros de brocado e todos esses adereços. Além da bandeira que carrega o nome do bloco e que faço com muito carinho', diz Elizabeth que no cotidiano é professora de dança do salão.

bola cheia
Bola Cheia - Foto: Fafá Araújo

Sobre o projeto - Gerido pela Secretaria de Cultura, o Programa Ouro Negro credenciou 91 entidades para o carnaval de Salvador nos segmentos afro, índio, afoxés, samba e reggae de Salvador. Em 2018 o projeto comemora dez anos e ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.