Carnaval Ouro Negro traz a força negra, feminina e das comunidades para o circuito Batatinha

11/02/2018
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Foto: Almir Santos

O Pelourinho abriga o circuito Batatinha e é cenário para o desfile de dezenas de entidades sem fins lucrativos e compromisso social. Suas atividades impactam diretamente na vida de centenas de pessoas, que vêem nas atividades culturais dos blocos, formas de interação, renda extra e aprendizado. E é neste sentido que o projeto Ouro Negro contribui para a resistência e sustentabilidade destes blocos.

Uma delas é o afoxé Laroyê Arrida, que em cada carnaval homenageia um orixá. Neste ano, com o intuito de aflorar a criança que cada um tem, o bloco trouxe para a avenida o tema 'Ibeji - Divindades Infantis', uma referência aos Êres do Candomblé. Com a própria banda comandando o desfile, as alas das baianas e das crianças ganharam destaque com distribuição de balas a todos que os acompanharam.

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Foto: Almir Santos

Laroyê Arriba é uma das 91 entidades contempladas pelo Projeto Ouro Negro 2018, no Carnaval de Salvador e neste sentido, a produtora do Laroyê Arriba, Soraya Gomes, diz que o Ouro Negro é fundamental para manutenção das atividades do bloco, já que eles não têm fins lucrativos. 'Nosso propósito é manter viva nossa religiosidade de matriz africana. Nós não vendemos abadás, nem fantasias, então o Governo do Estado nos auxilia na confecção de alguns adereços, vestes e pagamentos de taxas', conta.

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Foto: Almir Santos

O sentimento da advogada Bianca dos Santos de participar do afoxé é de aprendizado e de conexão com a ancestralidade. 'Participar do Laroyê Arriba foi conhecer mais sobre a cultura. Todas as religiões de matriz africana sempre me encantaram, apesar de ser baiana, eu não as conhecia a fundo', relata Bianca.

Feminismo - Subindo as ladeiras do Pelourinho, os sons dos agogôs, xequerês e atabaques tomaram o ambiente e envolveram os presentes em mais um desfile das Filhas de Gandhy. Com o tema 'As Mulheres e o Recôncavo na Independência da Bahia', o bloco pautou a valorização da mulher, um debate contemporâneo. Um afoxé formado só por mulheres, em alas das baianas, índias, capoeira e percussão, com o intuito de demonstrar a força da mulher em todos os campos da vida. 'Trazer esse tema é fortalecer o papel principal e fundamental da mulher como mentora de sua própria vida. Ela é importante dentro da sociedade, de seu lar e no espaço social', afirma Franciene Simplício, produtora do Filhas de Gandhy.

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Foto: Almir Santos

Carnaval Comunitário - As atrações do bloco de samba Sambetão vieram diretamente da cidade de Santo Amaro, o grupo “Samba de Chula” e o cantor “João do Boi” celebram o terceira ano do grupo no Carnaval Ouro Negro. Para o seu produtor, Betão, trazer os blocos de rua da Cidade Baixa para o Pelourinho é manter viva uma tradição comunitária. 'A Cidade Baixa sempre teve festejos de bairro e nosso carnaval está precisando trazer a comunidade para aqui', analisa.

Sobre o projeto - Um dos projetos do Carnaval da Cultura, o Ouro Negro credenciou neste ano 91 entidades dentre blocos afro e de índio, afoxés e blocos de samba e reggae de Salvador, com objetivo de apoiar seus desfiles nos circuitos da folia. Atualmente gerido pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura, em 2018 o projeto comemora dez anos. Ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.