Domingo tem orquestra e Axé na programação do Largo Pedro Archanjo

12/02/2018
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Zeca Freitas e Orquestra/Foto: Mariana Campos
 
Em um momento, o público se diverte ao som de uma orquestra ritmada pelas polifonias do carnaval, mais tarde, o Axé toma conta dos semblantes, corpos e vozes dos foliões, envolvendo todos numa mistura de estilos e ritmos. Afinal de contas, o Largo Pedro Archanjo tem que honrar o verdadeiro espírito de carnaval e por isso programou para a noite deste domingo o cantor Missinho e o grupo Zeca Freitas e Orquestra.

Já a postos no palco, o maestro ergue sua batuta e começa a tocar “Toda Menina”. Sim, o grande homenageado do dia é o cantor e compositor Gilberto Gil, ícone do carnaval da Bahia. Logo após, o cantor de Guiné-Bissau Ramiro Naka entra em cena cantando seus principais sucessos.

De acordo com o músico Zeca Freitas, em 1923, Pixinguinha formou a primeira orquestra carnavalesca inspirada no modelo americano, desde então, o movimento só aumentou e ganhou as ruas de todo país. Hoje, o estilo tem um lugar valorizado na programação do Pelourinho: “esse é mais um espaço que vai ser preservado e aumentado. A quantidade de orquestra que disputam isso aqui só aumenta, virou uma grande concorrência de qualidade”, avalia o maestro.

Compositor de grandes sucessos da música brasileira, o cantor Missinho tocou clássicos de sua trajetória no Chiclete com Banana, de sua carreira solo, além de músicas como “Eu quero colocar meu bloco na rua”. O repertório fez o público rememorar os antigos carnavais de Salvador.
 
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Missinho/Foto: Lucas Rosário

Em uma análise da situação do Axé, o cantor fica temeroso e acredita que uma estratégia deve ser tomada para contornar a situação. “Deveriam dar mais oportunidades aos novos compositores que produzem música de qualidade. Hoje todo mundo se acha um compositor e não é assim, a profissão é uma coisa séria”, sugere. Porém, para ele, o lugar onde o público pode reviver uma mistura entre o novo e o antigo é o Pelô. “O carnaval aqui é um bálsamo, é o último reduto talvez da música boa, que não tem o compromisso com o jabá das rádios. O público vem curtir aqui uma música de qualidade”, acredita.

Durante as atrações do Largo Pedro Archanjo, o barbeiro Orlando Silva não parava de cantar e pular. Ele, que é de Santo Amaro e veterano de vários carnavais, encontra nos largos do Centro Histórico tudo o que precisa para curtir os dias de folia. “Aqui tem mais harmonia, que toca a alma da gente. É um espaço que é possível trazer nossas crianças, que atrai o turista e é bonito de se ver”, elogia.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.