12/02/2018

Maglore/Giovani Cidreira e Ronei Jorge/Foto: Almir Santos
“Essa é a primeira vez que eu toco no carnaval em minha cidade”, revela o cantor Giovani Cidreira ao contar sobre o seu sentimento ao tocar na folia do centro histórico. Para ele, esse é o carnaval alternativo, com a presença de artistas completamente diferentes ao que encontramos nos grandes circuitos da cidade. “Eu sempre quis tocar aqui no Pelourinho, num lugar aberto para todo mundo, no carnaval. E agora, nós estamos realizando esse sonho”, conta Cidreira.
O repertório passou por seus trabalhos individuais, mas também não deixou de tocar aquelas músicas de carnaval que afetam não somente os artistas, mas todo o público presente. “Aqui a celebração do carnaval é mais plural e diversa”, conta Teago Oliveira, vocalista da banda Maglore.
Para ele, o carnaval do Pelô é histórico e tem sido uma oportunidade maravilhosa apresentar esse trabalho para um público tão diverso. “Por ser um formato de palco, aqui há características mais convencionais de apresentação, o que não tira o seu brilho, porque o local é lindo e o clima de carnaval é igual em qualquer lugar da cidade”.
A ideia de fazer esse trabalho conjunto surgiu de forma natural. Giovani é um grande amigo de toda a banda Maglore e Ronei Jorge sempre foi referência para todos eles, portanto, a afinidade musical já estava posta e essa foi a oportunidade que eles encontraram para concretizar uma vontade latente. “Agora a gente conseguiu por sorte e destino juntar essas três gerações e, de alguma maneira, as influências de nossos repertórios são bem parecidas”, diz Cidreira.
Tocar em uma formação inédita e pela primeira vez no carnaval tem sido uma experiência completamente diferente para o cantor Ronei Jorge, que sempre esteve do lado do folião. “Esta é uma experiência nova e interessante, porque a gente observa que tem uma abertura para outros gêneros. Talvez isso seja uma característica própria do carnaval, que sempre contou com samba, pagode e, de certa forma, a música pop e rock sempre estiveram por ali”, avalia.
Jorge ainda explica que na apresentação está inclusa uma música de seu novo trabalho, que deve ser lançado em abril. Nesse novo álbum, o cantor provoca um diálogo entre sua voz e as vozes femininas, que pertencem às instrumentistas que compõem o grupo. A partir daí, sua sonoridade passeia desde Tom Jobim a Caetano, numa intenção de ter uma apropriação maior da MPB. “É um disco que tem bastante a ver comigo, mas também aponta para um novo panorama para o que eu imagino para um trabalho autoral hoje em dia”.
Antes do show começar, a produtora cultural Adriana Santana estava na expectativa da banda entrar no palco. Para ela, é importante que haja esse espaço para outros estilos musicais dentro do carnaval de Salvador, porque assim o torna mais plural e mais democrático. “Hoje eu vim especialmente assistir a um trio de rock que vai tocar aqui no Pelourinho, que são atrações mais diferentes do padrão e é aqui onde encontramos o lugar do rock no carnaval”, opina.
CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br