13/02/2018
Nova Era/Foto:Lucas Rosário
A rima que se inspira na vida das ruas de Salvador encheu de energia a programação de Carnaval do Pelô, no Largo Tereza Batista, nesta terça-feira (13). Dentre as atrações estão Baco Exu do Blues e o grupo Nova Era, que apresentaram seus mais recentes trabalhos e dividiram o palco com diversos artistas convidados.
Eles saíram da comunidade da Cidade de Plástico, uma das mais pobres de Salvador, para falar sobre suas realidades nos palcos de todo o país, a partir de um processo de intercâmbio com famosos MCs. “A gente está fazendo conexões com artistas que nunca imaginávamos, como Racionais e RZO. Os caras estão nos abraçando de uma forma inexplicável, pois eles se sentem representados por nós, como se fôssemos continuação de seus trabalhos”, conta o MC Ravi do grupo Nova Era, que comandou um show que mesclava músicas do primeiro e segundo disco, além de canções do novo disco “Nossa Vida”.
Essa já é a terceira participação do grupo no Carnaval e na avaliação deles o espaço cedido ao rap é bastante importante, justamente pela vitrine que o carnaval representa. “Antigamente, a gente só via Axé, agora nós da Nova Era como também outros artistas, estamos ganhando espaço não só no Carnaval, como também no São João”, comenta MC Moreno.
Quem estava na platéia curtindo o som era o MC Armeng. Ele analisa que este é um momento importante de abertura do rap dentro do carnaval de Salvador. “Os caras vieram aqui e mostraram que o rap tem força na folia, tem público, todo mundo na paz, não teve uma briga nas músicas do começo ao fim”.
Para ele, a ocupação de espaços cada vez mais variados pelo hip hop é natural por conta de sua capacidade de comunicação: “O hip hop já é de uma grandeza, porque a gente consegue se comunicar com a juventude, com a galera que está interessada em curtir um evento e estar perto desses artistas de perto para trocar uma idéia e curtir uma música”, diz Armeng.

Baco Exu do Blues/Foto: Alexandra Martins Costa
Baco – Não há consenso sobre o papel que Diogo Moncorvo, ou popularmente, Baco Exu do Blues, desempenha na cena do rap nacional. Porém, para o público que lotou o largo, Baco foi ovacionado como um herói, principalmente, após cantar a música que o projetou, rompendo um jejum de mais de um ano.
O engenheiro Raí Faustino é fã de rap e acompanha o trabalho de Baco há um bom tempo. Para ele, seus shows são sempre uma celebração muito boa: “ele já atuava na cena há um tempo, mas só conseguiu mais destaque depois de 2016. Assim que ele lançou seu CD, a galera entendeu que seu trabalho tinha realmente fundamento e funcionava bem ao vivo”, explica.
Em 2016, aconteceu o lançamento de “Sulicídio”, que colocou em debate o preconceito com as bandas do Nordeste, denunciou a concentração musical do eixo Rio-São Paulo e sacudiu a cena rap nacional. A música se tornou um hino do rap nordestino e abriu portas para Baco levar sua lírica para todo país.
No repertório do show teve a participação dos grupos Contenção 33, BDD e Balastrada Records. Baco apresentou as canções do seu álbum “Esú”, cujo conceito está diretamente ligado com a entidade do Candomblé Exú e grandes sucessos como “O Culto”, “Facção Carinhosa” e “999”, cantado verso por verso pelo público.
Em um Carnaval que tem como o propósito celebrar os 220 anos da Revolução dos Búzios, não tem como não relacionar os gritos de liberdade e igualdade tão reivindicados por nossos rappers. Para o DJ Kbeça, do Nova Era, a mensagem do rap permite “estar envolvido no meio de tudo que seja bom, para agregar o povo da periferia, do gueto e revolucionar o sistema”.
CARNAVAL DA CULTURA – O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.