14/05/2018

Comemorações pelos 129 anos do Bembé do Mercado (Foto: Lucas Rosário)
Antes do início do 'Xirê' (roda de dança para festejar os orixás), na noite de sábado (12), autoridades, personalidades e organizações religiosas foram homenageadas. “Estamos vivendo um momento de muita importância e de união. Foi o povo de terreiro que sustentou esta festa até hoje. E ao povo de santo, que salvaguarda a história e a memória dos terreiros de candomblé neste território, a minha saudação e o meu axé”, reverenciou a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, ao receber uma placa de homenagem. “O Bembé precisa ser comemorado todos os dias do ano. E a grandiosidade dessa festa só reforça o nosso compromisso com seu registro e a salvaguarda desta celebração, que começamos a construir há três anos”, declara o diretor do IPAC, João Carlos Oliveira, que também recebeu homenagens de agradecimento pela realização e patrocínio do evento.
A professora e historiadora Maria Mutti sempre acompanhou e participou da celebração, que considera muito importante para o Brasil, já que fomos o último país do mundo a acabar com a escravidão. “A religião é o Candomblé e Bembé é a festa. Por isso precisamos e merecemos comemorar a nossa dignidade e a nossa liberdade, que é tudo de bom que temos na vida”. “Estou aqui para me juntar ao povo e manter esta tradição”, complementa o estudante Aislan Casaes, morador de Cachoeira, pela primeira vez na festa.
Um dos organizadores do Bembé, José Raimundo Lima Chaves, o Pai Pote, babalorixá do terreiro Ilê Axé Oju Onirê, festejou o sucesso do encontro. “É uma emoção muito grande fazer o Bembé. Além da importância religiosa, cultural, ética e da culinária afro, esta festa é todo conhecimento deixado pelos nossos ancestrais. E tudo isso ganha reforço, agora, porque além de Patrimônio do IPAC seremos Patrimônio Imaterial pelo Iphan”.

Comemorações pelos 129 anos do Bembé do Mercado (Foto: Windson Souza)
A partir daí, serão realizados estudos complementares, levantando informações, mobilizando a comunidade para um melhor entendimento do que é o registro, a visão dela sobre o bem cultural, além da produção de um vídeo e um dossiê, que será encaminhado ao conselho consultivo do Iphan para votar a favor ou contra o registro. “Deixo aqui o meu compromisso que antes das comemorações pelos 130 anos do Bembé, em 2019, possamos fazer a entrega do título que traz muito orgulho para a história do povo brasileiro. É preciso destacar que é responsabilidade de todos nós manter este patrimônio cada vez mais vivo e presente”, declarou a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.
As comemorações encerraram no domingo (13) com a tradicional entrega dos presentes aos Orixás das Águas. Antes, o cortejo percorreu locais simbólicos da cidade, com cânticos e orações, até a praia de Itapema, quando ocorreu a cerimônia de entrega das oferendas a Iemanjá.
Saiba mais- ‘Bembé do Mercado’ é o sétimo volume da coleção ‘Cadernos do IPAC’. O objetivo da publicação, disponível no site www.ipac.ba.gov.br é informar à sociedade os elementos que compõem o bem cultural chancelado como Patrimônio Imaterial Baiano em 2012, através do Decreto 14.129. Trata da manifestação religiosa realizada todos os anos desde 1889 pelos adeptos do candomblé, comunidade de pescadores e comerciantes de Santo Amaro da Purificação. Começou quando o babalorixá João de Obá armou um barracão, reuniu filhos e filhas de santo, fincou um mastro com bandeira branca e bateu tambores em homenagem aos orixás. A manifestação é um candomblé trazido para rua e realizado também para evitar infortúnios, ampliar a ventura a todos os habitantes de Santo Amaro, renovar o axé e restabelecer a força vital da cidade. Abrange a tradição dos pescadores de oferecer presentes à Mãe D’Água em agradecimento pelas pescarias.