21/05/2018

Festival Cultural Ocupação Kilombolas no Forte da Capoeira (Foto: Lucas Rosário)
Uma ocupação multicultural tomou conta do Forte de Santo Antônio Além do Carmo no último sábado (19). Com apoio da Secretaria de Cultura da Bahia, o Grupo de Capoeira Kilombolas, em celebração aos seus 45 anos de ginga e resistência, levou mestres e capoeiristas de todas as idades para uma programação que contou com muita troca de conhecimento e atrações como as Ganhadeiras de Itapuã e Virginia Rodrigues, entre outros. Houve também uma homenagem a personalidades que contribuíram para a história dos Kilombolas. A secretária de cultura Arany Santana foi uma das reconhecidas.Antes de se espalhar por comunidades de Salvador e região, onde existem oito unidades, sendo metade no bairro da Federação; além de mais duas unidades no exterior, localizadas na Alemanha e na França, sob comando de contramestres oriundos do grupo; o Kilombolas nasceu na Faculdade de Medicina da UFBA, com o Mestre Luís Medicina. Quando o grupo foi deixado nas mãos de Mestre Dedé, que segue defendendo a sua bandeira, ele ganhou o caráter mais popular que possui hoje. “A gente trabalha capoeira, cidadania e a história do nosso povo. Incentivamos nossos alunos a procurarem cursos profissionalizantes e universitários. Nossa inspiração é o negro guerreiro representado pelo grande líder Zumbi dos Palmares”, explica o Mestre Dedé, que em meados do ano passará por alguns países da Europa representando o grupo em intercâmbios de capoeira.

Festival Cultural Ocupação Kilombolas no Forte da Capoeira (Foto: Lucas Rosário)
Tradicionalmente, as comemorações de maior porte pelo aniversário do grupo ocorrem a cada cinco anos, como explica a coordenadora cultural e pedagógica, Rosângela Machado. ”Nossa maior preocupação é fazer um evento multicultural, mostrando a diversidade, que sempre foi uma caractírisca do grupo Kilombolas. Já fizemos participações no Ilê Aiyê, nas escolas de samba, nos grupos de samba junino. A gente quer mostrar que quanto mais cultura e movimento, mais fortalecida a capoeira sai”, declara.A principal característica do grupo é reunir muitos alunos que nasceram e foram criados nele. Muitos se tornam professores, às vezes formam os seus próprios grupos, e ajudam a levar adiante o pensamento social do Kilombolas e ser um fator de transformação em suas comunidades. Grande parte destes estava na platéia, e alguns veteranos ainda foram chamados ao palco para receber uma homenagem, o Troféu Berimbau do Kilombolas, que também foi entregue a mestres parceiros do grupo e outras personalidades que o incentivaram ao longo da sua jornada.

Festival Cultural Ocupação Kilombolas no Forte da Capoeira (Foto: Lucas Rosário)
O cantor e mestre de capoeira Tonho Matéria, um dos homenageados e que foi também atração durante o festival, revela ter uma relação antiga com o grupo, iniciada na década de 80, quando foram parceiros em um projeto chamado “Vamos Capoeirar”. A ideia era ocupar as comunidades e fortalecer e formar jovens capoeiristas. “O Kilombolas é um projeto de referência muito grande para a capoeira da Bahia, pela formação que deu a muitos alunos, hoje muitos mestres. O que acho bonito no projeto é que prioriza formar cidadãos. É algo o qual nos inspiramos no Grupo de Capoeira Mangangá. Cuidar do jovem, que quem sabe com o tempo até se torne um mestre de capoeira, mas antes disso tem que ser um bom cidadão”, afirma Tonho.Também homenageada na ocasião, a secretária Arany Santana reforçou o discurso sobre o papel da capoeira na formação cidadã e relembrou histórias com o grupo. “Tenho muito orgulho de ter participado diversas vezes em vários batizados e formações dos Kilombolas. Este grupo deu destino a muitos jovens que hoje são cidadãos graças à capoeira. Capoeira que é resistência, que voa com as próprias, atravessa mares e oceanos divulgando a nossa cultura”, declara.