Primeira ação da Rota da Independência levou estudantes a lugares históricos de Salvador

20/06/2018
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Rota da Independência /  Foto: Roberta Gonzaga


Estudantes do Colégio Estadual Alberto Santos de Dumont, do bairro de Pirajá, tiveram a oportunidade de ‘reviver’ a história da Independência da Bahia na manhã de terça-feira (19), com visitas ao Panteão Patriótico, no Bairro de Pirajá; pelo Pavilhão Patriótico, na Lapinha; pela Praça da Piedade; e pelo Monumento ao Dois de Julho, no Campo Grande. Esses foram os principais lugares onde aconteceram batalhas em busca da autonomia política e econômica da Bahia.

“Sair de espaços fechados e vivenciar locais onde foram travadas batalhas pela Independência da Bahia possibilita incentivar a imaginação dos estudantes com vivências concretas”, disse o professor e pesquisador da Independência da Bahia, Marcelo Siquara, que ministrou aula pública.

A luta pela independência baiana iniciou antes da brasileira e se concretizou em 02 de julho de 1823, quase um ano depois da Independência do Brasil que foi em 7 de setembro de 1822. Ao contrário da pacífica proclamação às margens do Rio Ipiranga, milhares de pessoas morreram em batalhas na terra e no mar para a conquista da emancipação.

“Salvador foi palco do início da nossa formação enquanto país, com batalhas decisivas para que o Brasil virasse nação – foi com arma na mão, ideia na cabeça e coragem que a Independência da Bahia foi conquistada pelo povo local”, disse o diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo. Ainda segundo ele, “esse é um momento que propiciamos informações importantes do ponto de vista da formação histórica, social e política da história da Bahia. Estamos dando uma oportunidade a esses estudantes conhecerem mais sobre esse assunto, pois não tem na grade curricular”, acrescentou o diretor.

De forma didática o professor Siquara explicou a representação dos pontos históricos, onde aconteceram conflitos em busca de justiça social. A exploração de Portugal sob o Brasil foi relatada pelo historiador a partir de fatores econômicos, sociais e políticos, assim como foi explanado como aconteceu o rompimento desse controle social com que o objetivo do Estado da Bahia e, consequentemente, o Brasil tivessem sua própria conjuntura política. De acordo com o professor, “a verdadeira independência do Brasil ocorreu na Bahia”, afirmou.

A Rota - O bairro de Pirajá foi onde tudo começou. O local era caminho da principal entrada da cidade e a guerra deu início com ‘militares’ despreparados como, por exemplos, pescadores, agricultores, vendedores ambulantes e marisqueiros que foram treinados para o combate pelo General Pedro Labatut, a mando de D. Pedro I. Hoje o bairro tem cerca de 40.000 habitantes e nele possui o Panteão Patriótico, onde ocorreram conflitos e guarda os restos mortais do general.

Para o estudante Fábio Ádrian, morador do bairro de Pirajá, “estamos conhecendo mais da nossa história, pois existem pessoas que vivem aqui e não sabem o que é esse monumento e o que aconteceu nos séculos passados, principalmente, por Pirajá ter sido o início dos conflitos”, afirmou Ádrian.

Na Lapinha, tradicional bairro de Salvador, foi um trecho da estrada das boiadas e, hoje, guarda os símbolos do desfile de 2 de Julho, os caboclos e as caboclas, assim como os carros alegóricos. Para o estudante Matheus Rodrigues, “é fundamental para o nosso crescimento esse tipo de atividade, pois estamos acostumados a ficar ‘presos’ em salas de aulas e somos treinados a fórmulas e conceitos”, disse ele.

O terceiro momento do desfile patriótico foi na Praça da Piedade, no centro de Salvador, onde ocorreram execuções e suplícios em praça pública. Próximo a esse local há a Avenida Joana Angélica, nome dado em homenagem a essa mulher por morrer executada pelos portugueses por querer evitar que estes invadissem o convento da Lapa.

Para finalizar, os estudantes visitaram a Praça do Campo Grande que tem o monumento 2 de Julho. Com destaque para o caboclo que representa as classes sociais mais baixas que participaram ativamente da guerra. Segundo a estudante Sofia Brito, “é importante aprender sobre essas batalhas que não são contadas nos livros de história e isso é fundamental para minha formação enquanto cidadã”, afirmou Sofia.

A guerra foi um marco na história da Bahia e do Brasil, uma vez que a Independência da Bahia contribuiu para a do Brasil. “Essa ação abre o olhar desses estudantes do 3º ano do ensino médio para perceber como foi a história, vendo na prática onde ocorreram os conflitos”, disse a diretora do colégio, Kátia Simone Melo.

O desfile patriótico, na cidade de Salvador, foi o início prático da Rota da Independência que irá ter continuidade no sertão baiano, na região de Caetité, nos dias 28 e 29 de junho, e no mar nos dias 3 e 4 de julho, com visitas a fortes que foram importantes para a conquista da independência.

A ação está sendo realizada pelo Centro de Memória da Bahia (CMB), ligada a FPC da Secretaria Estadual de Cultura (Secult/BA).

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.