21/06/2018

Diretora Chica Carelli (Foto: Márcio Meirelles)

Diretora Chica Carelli (Foto: Márcio Meirelles)
“O projeto de intercâmbio K Cena tem tudo a ver com a própria essência do teatro: o encontro de pessoas com diferentes culturas, experiências de vida e de fazer artístico, que se reúnem pra refletir sobre o mundo neste momento. Claro que toda montagem é uma aventura, no sentido que nunca sabemos onde iremos chegar, mas para mim tem sido incrível”, avalia a diretora Chica Carelli.
Nesse trânsito dos encenadores entre os três países integrantes do programa, Carelli também dirigiu em 2017 o espetáculo “Somos Todos UBU”, criado a partir dos textos de “O Rinoceronte” (Eugène Ionesco) e “Ubu Rei” (Alfred Jarry); e em 2016 montou o espetáculo “A Grande Ressaca”, em conjunto com Pulleyn e Branco, na cidade de Viseu (Portugal), a partir dos textos de Matéi Visniec (“Cuidado com as velhinhas carentes e solitárias”).
Em 2018, o Teatro Nacional D. Maria II, de Lisboa, e o Teatro Nacional São João, do Porto, embarcam nessa nova etapa, através do primeiro encontro de Dramaturgia K Cena, para o qual foram convidados Gabriel Gomes, Sofia Moura, Rafael Medrado e Lisa Reis. Dessa forma, nasce “A Tempostade”, texto que serve de ponto de partida para três espetáculos distintos em Salvador (BR), no Mindelo (CV) e em Viseu (PT). “Foi incrível a ligação desde o início e a facilidade com que remamos todos para o mesmo lado neste barco, que foi a escrita do espetáculo. As ideias de todos fluíam de forma tão natural que, hoje, por vezes já nem nos lembramos quem escreveu o quê, quem inventou que personagem, quem sugeriu que ideia”, relembra Gabriel Gomes.
O ator baiano Rodrigo Lelys, ex-participante do K Cena em 2015 e 2017, retorna novamente nesse intercâmbio como assistente de direção. A partir dessas edições, até a atual, a universidade LIVRE de teatro vila velha se torna um parceiro regular do projeto. “Você acaba tendo acesso a uma outra cultura, a outros tipos de teatro, vamos criando mais repertório. A gente acaba se familiarizando com textos de compreensão mais complexas através do Teatro”, conclui Lelys.
Há mais de 10 anos no K Cena, Graeme Pulleyn vê com muito otimismo esse projeto. “Esperamos no futuro próximo alargar para outros países lusófonos, trazendo diferentes formas de fazer teatro, num projeto que atravessa o Atlântico em três sentidos”, comenta.
O encenador e diretor artístico do Teatro Vila Velha, Márcio Meirelles, que já dirigiu três montagens do K Cena, tanto em Portugal quanto em Cabo Verde, reconhece no projeto o seu grande potencial de formação cidadã. “É um projeto bonito, que lida com a juventude e com a formação de possíveis atores, artistas de teatro ou possíveis frequentadores de teatro, mas com certeza futuros seres humanos melhores, mais ricos, com uma visão mais complexa do mundo, com questões que podem ajudar a ser melhor, sempre, mesmo que eles não estejam no palco ou na plateia”, ratifica Meirelles.
A primeira etapa dessa sétima edição do K Cena ocorreu na cidade de Viseu (Portugal), no mês de abril, com as apresentações do espetáculo “Tempostade”, sob a direção de Pulleyn.
A iniciativa estimula o protagonismo criativo, a criação colaborativa, a formação cidadã e o desenvolvimento de experiências literárias para a valorização da escrita e da língua portuguesa. O Teatro Vila Velha (Salvador/BA) representa o Brasil na iniciativa, juntamente com o Teatro Viriato (Portugal) e o Instituto Camões/Centro Cultural Português - Pólo do Mindelo, com o apoio local da Mindelact – Associação Artística e Cultural (Cabo Verde)
O Teatro Vila Velha tem o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.