05/07/2018

Serviçal, de Ana Flávia Cavalcanti (Foto: Bruno Coqueiro)
Contemplado pelo Edital de Dinamização de Espaços Culturais, tendo apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, “Devires” faz da sua casa o Goethe-Institut, que tem sido um dos espaços mais potentes do exercício artístico na capital baiana, promovendo atividades e oferecendo suporte a iniciativas de variadas espécies, na defesa da liberdade de expressão. O projeto terá mais duas etapas, de 9 a 11 de agosto e de 27 a 29 de setembro, no mesmo local.
Ecoando vozes silenciadas e exibindo corpos invisíveis, a mostra se fundamenta, essencialmente, em transgredir, transmutar e subverter qualquer ação que aprisione identidades e personalidades. O não-lugar dos desviantes das lógicas hétero e cisnormativas, o machismo, o patriarcado, o racismo e preconceitos sobre loucura e saúde são pontos que recortam os trabalhos. Indivíduos inclassificáveis na militância artística por uma cidadania mais coletiva e pelo fortalecimento de uma micropolítica que possa ir penetrando, dia a dia, nas condições de autonomia, intimidade e proteção de todos e todas.
A curadoria de Paola Marugán e Juliana Vieira traz, portanto, o corpo para o centro do discurso, abrindo olhar para outros mundos possíveis.
PROGRAMAÇÃO – Nesta primeira etapa, “Devires” começa em 12 de julho com as performances “A babá quer passear”, que sai às 17h do Largo do Campo Grande em direção ao Goethe-Institut, seguida de “Serviçal”, às 20h, ambas de Ana Flávia Cavalcanti (SP). Na sexta-feira, dia 13, dois artistas da Bahia estarão em cena: Rozin Daltro, com “Enxágue”, às 18h, e Yuri Tripodi, com “Em nome da razão”, às 20h. No sábado, às 16h, a mesa de debate “De que formas fazer da vida uma prática política?” reúne Kleper Reis (MS), Nadia Granados (Colômbia) e Sandra Muñoz (BA), com mediação de Paola Marugan (Espanha). Para encerrar, Nadia Granados performa “Cabaret La Fulminante”, às 20h. Aberta no primeiro dia e com visitação continuada até 12 de agosto, a exposição CU É LINDO, de Kleper Reis, completa a grade.
Haverá ainda a oficina “O corpo é o discurso – Práticas micropolíticas de cuidado mútuo”, com 15 vagas, ministrada por Yuri Tripodi nos dias 16 e 17, e a “Festa Devires”, que se movimenta para o Espaço Charriot (Comércio), na noite de 13 de julho.
Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.
MOSTRA DEVIRES Etapa 1
www.mostradevires.com
Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia (Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória)
Quando: 12 a 17 de julho de 2018
Realização: Giro Planejamento Cultural
Apoio financeiro: FCBA/ Sefaz/ SecultBA/ Governo da Bahia
Exposição
CU É LINDO, de Kleper Reis (MS)
12/7 a 12/8, 9h às 19h Classificação indicativa: 18 anos
O profícuo suspirar de um mergulho nas raízes que suscita a aceitação do si mesmo. A emoção de lidar com a censura, as memórias das violências e dos espancamentos sofridos, as discriminações e os preconceitos sociais, as imagens do inconsciente e as notícias diárias.
Performances
A babá quer passear, de Ana Flávia Cavalcanti (SP)
12/7, 17h, do Largo do Campo Grande ao Goethe-Institut Classificação indicativa: Livre
Uma babá dentro de um carrinho de bebê gigante e cor-de-rosa para discutir a invisibilidade da empregada doméstica no Brasil: mulheres negras periféricas em situação de vulnerabilidade social/econômica. E se invertêssemos os papéis? E se agora a babá quisesse passear?
Serviçal, de Ana Flávia Cavalcanti (SP)
12/7, 20h Classificação indicativa: Livre
Solo a partir da performance “A Babá Quer Passar” convoca os negros presentes a contarem suas histórias de trabalho, mescladas a depoimentos colhidos durante o passeio da babá.
Enxágue, de Rozin Daltro (BA)
13/7, 18h Classificação indicativa: 18 anos
Performance poética que busca desmistificar os estigmas relacionados a pessoas que vivem com HIV. Um banho para desconstrução da HIVfobia. Um corpo soropositivo lutando contra a margem, contra o silêncio opressor, contra o abandono afetivo.
Em nome da razão, de Yuri Tripodi (BA)
13/7, 20h Classificação indicativa: 18 anos
Quem ordenou que nossos corpos e vivências se tornem exposição sem o nosso consentimento? A performance investiga a relação entre a loucura e a sociedade contemporânea, alicerçada em uma perspectiva que reconfigura estados e sensações vivenciados pelo autor.
Cabaret La Fulminante, de Nadia Granados (Colômbia)
14/7, 20h Classificação indicativa: 18 anos
Montagem cênica para a divulgação do pensamento crítico de La Fulminante, personagem inspirado nos estereótipos da mulher latina, sexualmente provocativa, sacada das fantasias eróticas construídas pela mídia de massas, o reguetão e a pornografia.
Mesa de debate
De que formas fazer da vida uma prática política?, com Kleper Reis (MS), Nadia Granados (Colômbia) e Sandra Muñoz (BA). Mediação: Paola Marugan (Espanha)
14/7, 16h Classificação indicativa: 14 anos
De que formas resistir em face ao contexto antidemocrático e violento em que nos encontramos? O que move o corpo? O que é o que o corpo pode mover? Como construir uma vida individual, mas politizada, que contribua no fortalecimento do tecido social? De que formas viver a vida compreendida como um espaço aberto à experimentação? Quais éticas seriam essas?
Oficina
O corpo é o discurso – Práticas micropolíticas de cuidado mútuo, com Yuri Tripodi (BA)
16/7 e 17/7, 9h às 13h 15 vagas. Inscrições no site.
A macropolítica brasileira, em seu estado atual, não está voltada para os desejos do povo. Produz e alimenta o medo em pessoas dissidentes e/ou vulneráveis socialmente. A proposta da oficina é juntar forças; expor fragilidades e angústias para enfrentar, por meio da expressão artística, toda repressão e políticas do medo.
Festa Devires
13/7, 22h Classificação indicativa: 18 anos
No Espaço Charriot (Comércio). Ingresso: R$ 10
No lineup, Diih Cerqueira, Nai Sena, Pivoman e Tia Carol. Performances de Afrobapho, Frutífera Ilha e Malayka SN.