CEC aprova registro de bem imaterial para Cheganças, Marujadas e Embaixadas

26/11/2018
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Foto: Rosilda Cruz

Durante plenária na quinta-feira, 22, o Conselho Estadual de Cultura aprovou o Registro Especial para as manifestações de “Cheganças, Marujadas e Embaixadas” como patrimônio imaterial da Bahia. O parecer pela concessão do registro foi elaborado pela conselheira Suely Melo e sancionado pela unanimidade dos conselheiros e conselheiras presentes na sessão.

As Cheganças, Marujadas e Embaixadas são apresentações lúdicas caracterizadas por encenações dramáticas de cunho popular e marcadas por elementos religiosos. O nome Chegança, Marujada ou Embaixada varia de localidade para localidade. Na Bahia são mais de 25 grupos inventariados em mais de 20 distintas cidades como: Andaraí, Lençóis, Taperoá, Paratinga, Alcobaça, Jacobina, entre outras. Por meio de representações dramáticas, com recursos de cantos e danças, os grupos retratam o universo das navegações coloniais, lutas, vida dos marujos, entre outros temas.

Como destaca o parecer de Suely Melo, as manifestações “se apresentam ao público contando a sua história através das músicas, é a música cantada que discorre sobre a saga dos Cristãos contra os Mouros, contando as invasões e as batalhas travadas, transmitindo esse saber a todos. Nos preparativos da data-mor, ligada às festas dos Padroeiros das Cidades, os participantes envolvidos nas atividades enfeitam as igrejas e a cidade para a apresentação das “Marujadas” que se tornam o ponto alto dos festejos. Ao final saem em procissão, arrastando uma multidão de fieis e curiosos, cada uma com sua peculiaridade”.

Rosildo do Rosário, um dos coordenadores da Associação Cheganças dos Marujos Fragata Brasileira - que foi autora do processo de pedido de Registro Especial no Livro das Expressões Lúdicas e Artísticas da Bahia – e um dos principais artífices da realização do Encontro de Cheganças da Bahia na cidade de Saubara, acompanhou a sessão e disse que a concessão tem um valor relevante.

“As Cheganças, Marujadas e Embaixadas representam um espaço importante para vida de muitas pessoas que se integram e se reconhecem por meio destas manifestações. São nestes momentos que elas sentem mais forte o pertencimento e se compreendem como produtoras e transformadoras sociais. A concessão do Registro é antes de tudo uma consideração, uma reverência, dirigida a esta pessoas. Além disso, deve colaborar no caminho para a conquista de apoios institucionais por via de políticas públicas e dar mais visibilidade”, afirmou Rosário.

Ainda segundo o parecer defendido por Suely, nesse sentido “é importante que ações sejam implementadas e implantadas no sentido de se manter e/ou ampliar os processos culturais dessas manifestações através de oficinas de pandeiro, cantigas, confecção de roupas e adereços”, diz o texto do parecer.