02/03/2019

Reduto do Samba na avenida / Foto: André Frutuôso
Os trios elétricos estavam concentrados ao lado do Hotel da Bahia, na Praça do Campo Grande, no início da noite da sexta-feira (01), no Circuito Osmar. Em meio ao emaranhado de cordas e ao barulho dos ajustes técnicos, uma mulher também se preparava para desfilar na passarela da festa. Vestida a caráter, com a fantasia em tons de vermelho, branco e dourado e chapéu panamá, a indicadora do Teatro Castro Alves, Nadi Lopes, 48 anos, chamava a atenção por empunhar um espelho e, elegantemente, retocar o batom. Quando questionada sobre o motivo da preparação, ela prontamente respondeu: “Estou me preparando para o Harmonia”.
Fã da banda da Capelinha do São Caetano desde o final dos anos 1990, Nadi acompanha o Harmonia do Samba em todas as apresentações, mas admite que a saída no Reduto do Samba, bloco do bairro do Tororó, tem um sabor especial, pois “o Harmonia é uma banda de tradição, o Reduto é tradição e esse circuito do Carnaval, também é tradição”.
Nadi Lopes, fã do Harmonia do Samba, se preparando para o Reduto do Samba / Foto: André Frutuôso
Foi com o intuito de atrair um público jovem para a tradição do samba na Avenida, que há sete anos, o presidente Newton Dias levou o Harmonia do Samba para o bloco Reduto do Samba. Este ano, a agremiação completa 17 carnavais e já foi comandado por nomes como Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Gal do Beco e Pedaço de Nós. Dias entende que “o samba é uma linguagem universal e o Harmonia mistura a raiz do samba de roda e a música percussiva do carnaval, tocando o tempo todo, sem parar durante o percurso”.
Líder do Harmonia do Samba, o cantor Xanddy não escondia o entusiasmo ao chegar na concentração, e disse: “o Reduto é massa. Tem uma energia incrível, sempre preparamos um repertório diferente, selecionado. Sempre um prazer fazer parte”. Ele ainda exaltou o legado do povo negro no carnaval: “a toda cultura africana, meu respeito e admiração. Nossa cultura, nossas raízes vem daí”.
Xanddy aproveitou o desfile do Reduto do Samba para dizer: “Como não ser feliz e comemorar a iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia com o Carnaval Ouro Negro e o apoio ao Reduto. Feliz em fazer parte”.

Xanddy no comando do Reduto do Samba / Foto: André Frutuôso
O Reduto do Samba não é apenas um bloco de baianos. Ele também atrai turistas como Educador Físico Felipe Santos, 33 anos, e o cabeleireiro Marcos Antônio Oliveira, de 44 anos. Ambos deixaram Pernambuco, a terra do frevo, para curtir o Carnaval ao som da swingueira da Bahia. “O Pagode Baiano faz meu estilo. Sou fã do Harmonia desde o primeiro CD. Adoro dançar e fazer as coreografias”, disse Felipe.
HOMENAGEM AOS COMPOSITORES BAIANOS - Esse ano, o tema do Reduto do Samba é “Salve os compositores do bairro do Tororó”. O Tororó é reduto de bambas, um bairro central de Salvador, agraciado com a beleza do Dique, berço do Apaxés do Tororó e que revelou sambistas muito importantes para a música brasileira. Nomes como Nelson Rufino, Ederaldo Gentil, Paulinho do Reco, Salvador Oliveira e Walmir Lima estão sendo reverenciados durante a passagem do reduto do samba.
ALERTA É FOLIA
Denny Denan no comando do Alerta Folia / Foto: André Frutuôso
Outro bloco de samba que trouxe inovações para o Circuito Osmar nessa sexta-feira (01) foi o Alerta é Folia. Filho do Alerta Geral, que completa 25 carnavais, o bloco misturou o afro pop do cantor Denny Denan com o samba dos grupos Miudinho e Movimento. A mistura fez sucesso na Avenida e arrastou multidões. O cantor Denny Denan foi vocalista da Timbalada e agora faz carreira solo.
Tanto o Reduto do Samba quanto o Alerta É Folia desfilaram com o apoio do Carnaval Ouro Negro 2019, programa de fomento promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
E tem mais Ouro Negro
Neste domingo (2), as mulheres do bloco e banda Didá e o Mais Belo dos Belos Ilê Aiyê estão entre as atrações do programa que desfilam no circuito Osmar (Campo Grande), que ainda vai receber: o Bloco da Saudade, o Vem Sambar e Jaké Tchaco. Enquanto a Didá e o Bloco da Saudade abrem os desfiles no Campo Grande, a partir das 11h, o Ilê Aiyê faz sua tradicional saída no Curuzu, por volta das 20h, com desfile pela rua principal da Liberdade e depois traz sua percussão, sua banda Aiyê e suas dançarinas para o Campo Grande, onde celebrará os 45 anos de criação da entidade.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5
Por Tedson Souza