Afoxé Filhos de Gandhy inicia desfile comemorativo de 70 anos com Padê de Exú

03/03/2019
Gandhy
Filhos de Gandhy / Foto: André Frutuôso

O tapete branco da paz tomou conta do Centro Histórico de Salvador na tarde deste domingo (03). Mais de 6 mil associados do afoxé Filhos de Gandhy, oriundos de diversos lugares do mundo, se reuniram no Largo do Pelourinho para a realização do tradicional Padê de Exu,  da saudação à Ogum e a soltura das pombas brancas à Oxalá. Em seguida, homens de todas as cores, crenças e credos saíram em direção à Rua Chile para transbordarem nas ruas do Centro da Cidade, espalhando a cultura da paz.

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Wallace Luiz, 15 anos de Gandhy / Foto: André Frutuôso

Dentre os foliões do afoxé Filhos de Gandhy, estava o cozinheiro Wallace Luiz, 38 anos. O amor pelo Gandhy começou ainda criança quando ele acompanhava os vizinhos mais velhos da rua Itapema, em Itapuã.  “Uns foram partindo e eu fui seguindo a tradição, já estou aí há 15 anos e venho nessa caminhada com os Filhos de Gandhy”, disse ele que acredita que o afoxé é uma filosofia de vida e “se sente renovado a cada ano após passar pelos Filhos de Gandhy”.

A paixão pelos Filhos de Gandhy do cientista social Ademário Souza Costa, 44 anos, também começou na infância: “Desde pequeno eu pensava que ser baiano era sair no Gandhy e torcer pelo [Esporte Clube] Bahia”, disse Costa que é neto de um adepto do Candomblé, cresceu ouvindo oficinas de atabaques e agogô em casa e este ano trouxe o filho João Miguel Cândido Costa, 15 anos, que pretende prosseguir com a tradição da família.  

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Ademário Souza Costa acompanha seu filho na estreia nos Filhos de Gandhy / Foto: André Frutuôso

70 Anos de tradição

Em 1949, quando reunidos embaixo de uma mangueira nas imediações da sede do Sindicato dos Estivadores do Porto de Salvador, um grupo de trabalhadores decidiu criar o afóxé Filhos de Gandhy, atualmente uma das entidades mais fortes do Carnaval de Salvador. 70 anos depois, o Gandhy é sinônimo de Bahia e proporciona um dos mais belos espetáculos da maior festa popular do mundo.

ÊLA TEMPO! - Esse ano o ‘Tapete Branco da Paz’ faz uma homenagem a Tempo, entidade que rege o caminhar, as decisões e o destino das pessoas.
O afoxé Filhos de Gandhy festeja os seus 70 anos de Carnaval com apoio do edital Carnaval Ouro Negro 2019, promovido em conjunto pelas secretarias da Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

De acordo com Gilsoney de Oliveira, Presidente do Afoxé Filhos de Gandhy,” em tempos de crise e sem o apoio da iniciativa privada o aporte do Carnaval Ouro Negro é fundamental para a saída do Gandhy e de outras entidades de matriz africana”.

E tem mais Ouro Negro

As comemorações dos 70 anos do Afoxé Filhos de Gandhy continuam amanhã (4),  a beira mar, no circuito Barra-Ondina. Na terça-feira (5) os Filhos de Gandhy voltam ao Centro da Cidade e encerram o seu Carnaval no Circuito Osmar – no Campo Grande. Acompanhar a passagem do “tapete branco do Gandhy” é contribuir para a manutenção a tradição da religião africana, ritmada pelo agogô e por seus cânticos de ijexá, na língua Iorubá.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5

Por Tedson Souza