
Foto: Alexandra Martins
Imagine a música cubana, jamaicana, nigeriana, estadunidense e brasileira reunidas em um único repertório. Quem ficou pra conferir o projeto “Blackfolia World Black Music” não só imaginou como vivenciou um encontro potente dos artistas Daúde, Okwei Odili e Dja Luz, na terceira noite do Carnaval do Pelô. O show encerrou a programação do Largo do Pelourinho e atraiu a atenção dos foliões.
A sintonia dos artistas no palco foi tão marcante que eles planejam levar o projeto, que foi preparado especialmente para o Carnaval do Pelô, para outros locais e fora da época carnavalesca. “A gente já se conhecia, mas essa foi a primeira vez que tocamos juntos e o resultado nos agradou tanto que estamos pensando em tornar esse show itinerante”, revela o cantor Dja Luz.
O “Blackfolia World Black Music” reuniu canções de James Brown, Michael Jackson, Bob Marley, Edson Gomes, Gilberto Gil, Luiz Melodia, entre outros, além de clássicos como “Guantanamera”, conhecida através de Buena Vista Social, e “Munagi”, canção da lenda viva nigeriana Onyeka Onwenu. A ideia de construir um repertório focado na música negra mundial permitiu que a cantora e compositora, Okwei Odili, natural da Nigéria, participasse pela primeira vez do Carnaval do Pelô. “Eu gosto da folia daqui justamente por possibilitar que as pessoas possam conhecer outro tipo de música e outro tipo de cantores. Estou muito feliz de perceber que estamos na mesma linguagem”, disse.
Da mesma opinião compartilha o músico Ricardo Correia. Para ele, a modalidade “Três artistas”, presente na programação do Carnaval do Pelô, é uma iniciativa justa para contemplar o máximo de artistas locais, nacionais e internacionais na folia. “Não é só pelo cachê ou pela visibilidade que tocar no Largo do Pelourinho proporciona, mas sim pelo capital simbólico que é fazer parte dessa festa”, destaca Ricardo, que já participou da modalidade em carnavais anteriores.

Público curtiu o último show da noite no Largo do Pelourinho / Foto: Alexandra Martins
Além do encontro musical, o show propiciou também uma união de gerações diversas dentro da música popular brasileira, como se deu através da participação da cantora Daúde, que ficou conhecida nacionalmente em 1997 por conta do hit Pata Pata, versão em português da música homônima sul-africana. “A música é uma quebra de fronteiras e foi exatamente o que esse show possibilitou. O palco hoje foi essa energia de celebração, encontro e resistência”, conclui.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5
Repórter: Juliana Dias