Aspiral do Reggae leva para Carnaval homenagem à Gilberto Gil

04/03/2019
Aspiral
Bloco Aspiral do Reggae / Foto: Fafá Araújo

Dreadslocks de todos os tamanhos e formatos, as cores do Pan-africanismo nas roupas, nos adereços e unhas. É o que podia se ver na concentração do bloco Aspiral do Reggae, que desfilou na noite desta segunda-feira de carnaval, dia 04 de março, na Rua Chile, Contrafluxo do Circuito Osmar, pela programação do Ouro Negro. Na fantasia do bloco, o rosto do homenageado deste carnaval da agremiação: Gilberto Gil e a sua canção ‘Nos Barracos da Cidade’.

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Valdelice de Lima / Foto: Fafá Araújo

O visual de Valdelice de Lima, trabalhadora doméstica, 58 anos, chama atenção pela exuberância e o colorido verde, vermelho, amarelo e preto. Rastafári, ela se programa todos os anos para sair nos blocos de carnaval que são redutos de resistência do reggae na cidade: além do Aspiral, ela desfila no Banana Reggae, Skanska e também no afro Muzenza.

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Claudia Santos / Foto: Fafá Araújo

“Todas as noites eu saio, chego em casa de manhã, durmo um pouquinho, me arrumo de novo e saio bem bonita para acompanhar um novo bloco” confessa a foliã. Com a dona de casa Cláudia Santos, 50 anos, não é diferente. Também adepta do rastafarianismo, ela sai todos os anos no Aspiral e prioriza espaços onde o gênero musical seja tocado. “Eu acho esse bloco maravilhoso e adoro estar no reggae”, admite.

“É uma grande satisfação estar no carnaval da Bahia, mostrando o nosso reggae. É uma grande oportunidade para os amantes desta cultura ter esse espaço dentro da festa.  As pessoas que saem aqui curtem o reggae na alma”, afirma o cantor e compositor Kamapheu Tawá, vocalista da Banda Aspiral do Reggae, existente há 25 anos. É dela quem o bloco derivou em 2004.

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Jussara Santana, uma das fundadoras do bloco / Foto: Fafá Araújo

 Ao longo do ano, a entidade desenvolve atividades formativas. “O reggae é sociocultural e político, não é só musical. É um estilo de vida que a gente tem mesmo e por isso trabalhamos com seminários, fortalecendo o movimento negro e por reparação racial. Defendemos o reggae rastafári, raiz e afro-ancestral”, explica Jussara Santana, produtora cultural e uma das fundadoras do Aspiral.

“Este ano nós estamos homenageando o nosso grande mestre da música brasileira, Gilberto Gil, que faz parte de toda uma revolução musical como também política de nossa cultura”, pontuou o vocalista do Aspiral do Reggae.  Segundo Jussara, “Gilberto Gil trouxe para a Bahia o reggae e é importante homenagear sua contribuição musical e política”.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!

Por Monica Santana