Desfile do Ilê Aiyê, nesta segunda, destaca a importância das canções do bloco

05/03/2019
Ilê Aiyê
Ilê Aiyê / Foto: André Frutuôso

Quem resistiu à espera para assistir à passagem do bloco afro Ilê Aiyê, nesta segunda-feira, 05, por volta das 23h, na passarela do Campo Grande, pôde conferir um pouco da importância da musicalidade na trajetória de 45 anos de uma das mais relevantes entidades da cultura negra do Brasil. Além da ala de canto e dos tambores, a música do Ilê Aiyê foi valorizada pela performance do ator, diretor e dramaturgo Ângelo Flávio, que recitou trechos de canções marcantes da história do Mais Belo dos Belos.

Ilê Aiyê
Ângelo Flávio / Foto: André Frutuôso

Entre as canções selecionadas pelo artista estava ‘A Bola da Vez’, de Joccylee e Toinho do Vale, do Carnaval de 2007, que traz uma série de reivindicações da população negra e os versos “Essa Reparação já passou da Hora”. Os aplausos do público presente e dos associados do bloco comprovam o desejo de urgência nas políticas afirmativas. Este tem sido um pedido do Ilê Aiyê deste a sua criação em 1974. 

Ilê Aiyê
Marco Boa Morte (Poca Olho) / Foto: André Frutuôso

E foi justamente a canção criada para o primeiro desfile do bloco, no Carnaval de 1975, ‘Que bloco é esse’, de Paulinho Camafeu a grande homenageada este ano. A música inspirou ao compositor Marco Boa Morte (Poca Olho), 55 anos, a criar mais um sucesso para o Ilê Aiyê e vencer o Festival de música do bloco nas categorias tema e poesia. “A trilha criada por Camafeu remete a esse mundo negro e a essa afirmação da nossa identidade que não pode ser feita apenas no carnaval, mais o ano inteiro”, explica o compositor, que ainda reforça: “Por isso, na categoria poesia, criei a música Melanina Preta. Onde as pessoas veem redundância desta expressão, eu vejo afirmação”, conta. 

Além de vencer os últimos três anos no festival de música do Ilê, Marco Boa Morte tem canções para os blocos afro Malê Debalê, Os Negões, Muzenza, e os blocos de samba Alvorada e Alerta Geral.

Mas afinal, que bloco é esse?

Ile Aiyê
Ana Paula Ramos e a filha Kaliane Ramos / Foto: André Santana

“É afirmação, negritude, raiz e o não ao preconceito”, responde a calandrista Ana Paula Ramos, 44 anos, do Engenho Velho de Brotas, que desfila no Ilê Aiyê há 25 anos. Nos últimos 12 anos, ela contou com a companhia da filha, a estudante Kaliane Ramos, de 14 anos. “Desde os dois anos eu desfilo com a minha mãe. Estão, pra mim, este é o bloco da beleza, da alegria e da valorização da nossa cultura”.  

E tem mais Ouro Negro

Nesta terça-feira, 05/03, o bloco Ilê Aiyê volta a desfilar no circuito Osmar, com concentração no Campo Grande, a partir das 18h.  

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!

Por André Santana