Afoxé Kambalagwanze encerra Ouro Negro no Circuito Batatinha

05/03/2019
Afoxé Kambalagwanze
Afoxé Kambalagwanze / Foto: Marcelo Guedes

O universo do Candomblé de Caboclo serviu de inspiração e tema para o afoxé Kambalagwanze, que desfilou no Circuito Batatinha, na programação Ouro Negro, nesta terça-feira, dia 05 de março, trazendo entre os componentes mulheres negras dos bairros de Barbalho, Bosque das Bromélias, entre outras localidades de Salvador. Comissão de frente, alas de dança, percussão e trio elétrico fazem parte do Carnaval do afoxé, que transitou com seus foliões pelas ruas do Centro Histórico.

O afoxé Kambalagwanze nasce de uma associação, que traz o mesmo nome e foi fundado em 2002, com atuação ininterrupta no Carnaval de Salvador. A presidente Iracema Neves acredita que os afoxés pedem e precisam de atenção: “é necessário o investimento nas políticas públicas para garantir a continuidade desses trabalhos. A única que temos é o edital Ouro Negro”, pontua. Segundo ela, é feito um investimento para garantir a presença das mulheres que participam dos projetos sociais realizados ao longo do ano no Carnaval. “Nós temos alas representativas das comunidades e a gente traz para dentro do afoxé, investe nisso, em transporte, roupa e tudo o que é necessário para trazê-las para o Carnaval. Nossos projetos são voltados para mulheres negras”, explica.

Ainda segundo Iracema, “o afoxé é o candomblé de rua. Chegamos no carnaval, realizando todos os rituais sagrados, respeitando a representatividade de rua, mas sem abalar o que se tem dentro dos terreiros. Trouxemos as representatividade dos caboclos em alas e alegorias”, explica a dirigente. A banda Alaiyê puxou o bloco pelas ruas do Centro Histórico, mostrando a musicalidade do ijexá, com toques contemporâneos com a Música Popular Brasileira.

Afoxé
A dançarina Edinilda dos Santos Ferreira com a filha Naine Dafine / Foto: Marcelo Guedes

Dança – A dançarina Edinilda dos Santos Ferreira, 33 anos, já participa do Kambalagwanze há muitos anos e vem junto com sua filha Naine Dafine Ferreira, 04 anos, para acompanhar o desfile do afoxé. “Participar desse bloco para mim é uma felicidade. É gostoso de se ver o clima de paz e união. O desfile foi maravilhoso, a música envolve a gente”, explica a foliã, que saiu de Madre de Deus com a filha para integrar a ala de dança do bloco. Para a menina, é muito divertido participar do percurso: “é bom dançar como minha mãe”, diz.

Afoxé
O bailarino Irlã Simões / Foto: Marcelo Guedes

“Há 15 anos eu participo de desfiles de carnaval e participo das alas de dança dos blocos”, conta o bailarino Irlã Simões, 25 anos. Ele também desfila no afoxé Kambalagwanze e tem nesses momentos dentro do carnaval uma das grandes paixões de sua vida.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!

Por Monica Santana