
Novo Airão, 2018 / Foto: Filipe Berndt
Neste mês de setembro a artista plástica paulistana Ana Elisa Egreja desembarca na capital baiana para realizar sua primeira mostra individual no Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM. Organizada pela Galeria Leme/AD, a mostra intitulada Fabulações apresenta 18 pinturas que marcaram a trajetória da artista desde 2008, além de quatro trabalhos inéditos. Ana Elisa não esconde o entusiasmo. “Estou muito empolgada! É minha primeira individual em um museu, as outras vezes foram em galerias, e ainda um museu tão especial”, admite.
A artista tem uma relação afetiva com o espaço, já que participou e foi uma das vencedoras do 15º Salão da Bahia (MAM-BA, Salvador, 2008). “Fui uma das ganhadoras do Salão da Bahia, que era um dos salões mais importantes do Brasil na época. O júri era composto pelo Fernando Oliva, Rodrigo Moura e pela Solange Farkas - que agora escreve meu texto. Era um momento efervescente nas artes do Brasil e o começo da minha produção como artista. Ganhar o prêmio foi, sem dúvida, um pontapé na minha carreira e é uma realização estar aqui de novo!“, confessa Ana Elisa.
Fabulações, título da exposição, exprime a essência daquilo que seria o elemento principal do trabalho da artista - a criação de uma narrativa fantástica, marcada pela composição complexa e reprodução minuciosa de materiais e texturas. Suas telas materializam cenas nas quais as ideias de domesticidade e abandono convivem com a presença arquitetônica e os gêneros clássicos da história da arte, como a natureza morta e a pintura de interior. “A exposição mostra um recorte da minha produção desde então (2008), e revela a minha obsessão por alguns temas, como a projeção da luz nos espaços, reflexos, padrões, naturezas mortas”, conta a artista.
Obra inédita – Com estilo inconfundível, suas pinturas realistas recriam ambientes internos, revelando a essência daquilo que seria o elemento principal do trabalho da artista - a substituição da verdadeira realidade por uma realidade fantástica. O que se percebe, por exemplo, na pintura sobre tela Poça II, que mostra o cômodo de uma casa em tons suaves, onde uma cortina divide o espaço com plantas e uma espécie de lago. “Pode-se dizer que são realistas-fantásticas, pois são também fabulosas, como diz o título da exposição. E como o movimento literário, as pinturas têm um tempo cíclico, ao invés de linear, e apontam uma narrativa romanceada, cheia de elementos improváveis”, define Ana Elisa.
Projetos como Jacarezinho, 92, 2017 e Casa Campo Verde/Rino Levi, 2018, no entanto, mostram um novo modo de produção das pinturas, que passaram então a retratar instalações encenadas nestas casas. Cada um dos projetos deu origem a uma série de pinturas, como Poça II e Cobogós - o alagamento da casa Campo Verde. Mais uma vez, o trabalho tem origem no convívio com as memórias guardadas na arquitetura, os traços de presença familiar e o silêncio dos interiores abandonados.
Uma das obras inéditas, que será apresentada no MAM, é Cobogós, feita especialmente para esta exposição e que promete chamar a atenção do público. Com 3,3 x 5,9m, é uma pintura-instalação composta por 169 telas que representam o jardim da Casa Campo Verde/Rino Levi e seu reflexo em um espelho d’água, através dos cobogós, elemento típico da arquitetura moderna brasileira.
A execução da obra demandou uma dedicação a mais da artista, como conta a própria Ana Elisa: “A história começa no final de 2017 quando soube que uma casa do arquiteto Rino Levi estava para ser demolida - a casa campo verde. Pedi autorização à família e ocupei a casa por uma semana, criando cenários em cada cômodo e encenando situações a partir dos objetos esquecidos. Esta pintura representa a sala principal da casa, onde se vê um jardim abandonado há 15 anos. Construí, de verdade, um espelho d’água para refletir todo aquele paisagismo transformado em mata tropical, e passei os últimos 6 meses, transformando cada um dos 169 cobogós numa pinturinha. Enfrentei o desafio, especialmente, para esta exposição e não vejo a hora de vê-lo montado no espaço! “, conclui.
Sobre a artista – Formada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, Ana Elisa Egreja participou das seguintes exposições individuais: Interiores, SESC, Ribeirão Preto, Brasil; Jacarezinho 92, Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2017); Da Banalidade: vol.1, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2016); Galeria Leme, São Paulo, Brasil (2013), Dark Room, Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, Brasil (2010); Temporada de Projetos, Paço das Artes, São Paulo, Brasil (2010).
Exposições coletivas: Crossing the borders of photography, Somerset House, Londres, Reino Unido (2019); Through the looking glass, Palazzo Capris, Turim, Itália; 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, São Paulo, Brasil); Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem, Galeria SIM, Curitiba, Brasil; Vértice - Construções, Centro Cultural dos Correios, São Paulo, Brasil (2016); Seven Artists from São Paulo, CAB Contemporary Art, Bruxelas, Bélgica (2012); Os primeiros dez anos, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; Arte Lusófona contemporânea, Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil (2011); Projeto Tripé, Sesc Pompéia, São Paulo, Brasil; Energias na arte – Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2009); 2000 e oito. Novos artistas para novas pinturas, Sesc Pinheiros, São Paulo, Brasil (2008); entre outras.
O seu trabalho integra coleções como: Franks-Suss Collection, Londres, Inglaterra; MAM - Museu de Arte Moderna da Bahia; Coleção Santander, Brasil; Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, Turim, Itália; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil e MAR, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) – O Museu de Arte Moderna da Bahia é vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura, autarquia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Possui importante acervo de obras e de documentação sobre momentos da cultura baiana e brasileira. Está instalado no Solar do Unhão, um sítio histórico tombado e banhado pela Baía de Todos os Santos. As relações deste sítio com a comunidade, com a cidade e seus contextos históricos, urbanísticos, sociais, políticos e econômicos, influenciaram diretamente o projeto da italiana Lina Bo Bardi para implantação do MAM, resultando em uma proposta de abertura ampla do espaço, marcada pela expressão artística como instrumento crítico para compreensão do mundo.
Serviço
Exposição Fabulações, de Ana Elisa Egreja
Abertura: 12 de Setembro – 19h
Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão
Período: até 26 de Outubro de 2019
Visitação: Ter - Sex 10h às 12 e de 13h às 18h / Sáb 14h às 18h.