21/10/2019

Foto: Divulgação
Fotos e escritas poéticas de toda parte do Brasil foram inspirações para os jovens que fizeram a Oficina de Foto-Poesia durante Pré-Flin, ministrada por Maiara Nascimento e Camila Souza, do Coletivo Cutucar, do subúrbio de Salvador. Realizada na última sexta-feira (18), na Biblioteca De Ítalo, em Cajazeiras 5, a atividade recebeu alunos do ensino fundamental e médio para aprender técnicas básicas de fotografia digital e criar livremente a partir uso de câmeras de celular.
Os estudantes tiveram contato com uma diversidade de imagens para escolher uma que melhor lhes descrevessem, com fragmentos de poemas no verso, partilhados com o grupo. O intuito era levar referências para a execução de trabalhos autorais para exposição na Arena do Leia e Passe Adiante, durante o Festival Literário Nacional (Flin).
A jovem Adriane Silva, de 18 anos, escolheu uma foto de um pôr-do-sol em uma praia de Salvador, por lembrar a região de Salinas, onde cresceu. Ela também compartilhou um pouco da sua experiência com a escrita autoral e em recitais de poesias de Cajazeiras. Na ocasião, recitou um poema de Mel Duarte, escritora que estará no Flin em novembro.
Segundo Maiara Nascimento, uma das idealizadoras do projeto, a proposta deste trabalho é integrar saberes técnicos de fotografia e audiovisual com escritas criativas sobre identidade e território.
“A gente quer mostrar que é possível ter um olhar diferente sobre o nosso próprio lugar de origem. Eles têm feito esse exercício, tendo contato com as pessoas do bairro, registrando o entorno da escola que estudam e da biblioteca com um olhar diferente do cotidiano e daquele que é representado pela mídia sobre a periferia”.
Os estudantes tiveram contato com uma diversidade de imagens para escolher uma que melhor lhes descrevessem, com fragmentos de poemas no verso, partilhados com o grupo. O intuito era levar referências para a execução de trabalhos autorais para exposição na Arena do Leia e Passe Adiante, durante o Festival Literário Nacional (Flin).
A jovem Adriane Silva, de 18 anos, escolheu uma foto de um pôr-do-sol em uma praia de Salvador, por lembrar a região de Salinas, onde cresceu. Ela também compartilhou um pouco da sua experiência com a escrita autoral e em recitais de poesias de Cajazeiras. Na ocasião, recitou um poema de Mel Duarte, escritora que estará no Flin em novembro.
Segundo Maiara Nascimento, uma das idealizadoras do projeto, a proposta deste trabalho é integrar saberes técnicos de fotografia e audiovisual com escritas criativas sobre identidade e território.
“A gente quer mostrar que é possível ter um olhar diferente sobre o nosso próprio lugar de origem. Eles têm feito esse exercício, tendo contato com as pessoas do bairro, registrando o entorno da escola que estudam e da biblioteca com um olhar diferente do cotidiano e daquele que é representado pela mídia sobre a periferia”.

Foto: Divulgação
Bate-papo – Também na última sexta-feira, no Colégio Estadual Ana Bernardes, em Cajazeiras 6, aconteceu um bate-papo sobre a construção do bairro de Cajazeiras, com a professora Nelma Barbosa. O bate-papo, parte do Pré-Flin com o projeto Memória dos Bairros, do Centro de Memória da Bahia (CMB/FPC), teve fundamento nos dois anos e meio de pesquisa acadêmica de Nelma em torno da identidade negra do bairro. Seus estudos partiram das mobilizações e ataques à Pedra de Xangô, localizada na Avenida Assis Valente e conhecida também como buraco do tatu, pedra do ramalho, pedra da onça, entre outros nomes dados pela comunidade local. Os alunos percorreram toda a história do bairro desde a colonização, viram imagens antigas e do período da pesquisa e ao final, compartilharam sensações e experiências sobre os lugares citados.
O estudante de 1º ano do ensino médio, Rayan de Jesus Santos, de 15 anos, planeja estudar história e conta seu interesse pelas narrativas compartilhadas do bairro. “Eu sabia só um pouco da Pedra de Xangô, pelo que é publicizado, mas não sabia que lá tinha sido um quilombo, por exemplo. Foi muito gratificante saber que Cajazeiras é parte importante da história do Brasil”, disse.
Para a professora, dividir esses conhecimentos, contando com leveza as histórias da região, é uma forma de estimular a sensibilidade e a capacidade de criação dos jovens. “Quando o sujeito se percebe como inteiro, ele pode criar, recriar e reelaborar dentro da comunidade que ele vive. E mais: fazer essa conversa pode colaborar para uma visão mais solidária diante do lugar que eles moram, não só no sentido do orgulho de pertencer. Sendo inteiro se pode criar, sonhar e fazer coisas fantásticas!”, refletiu.
Pré-Flin – As oficinas seguem acontecendo até o início de novembro, com diversas atividades junto à comunidade local. Em outubro, ocorrem bate-papos e atividades educativas com crianças e adolescentes das escolas estaduais da região; oficina de foto-poesia e Campanha Leia e Passe Adiante, com distribuição de livros nas escolas. Além do aulão pré-ENEM sobre a História da Bahia na História do Brasil para jovens pré-vestibulandos.
Flin é abreviação do Festival Nacional Literário (Flin): Diversas Leituras & Novos Caminhos - projeto realizado pelo Governo do Estado da Bahia e coordenado pela Secretaria de Cultura (SecultBA), através da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA). O Festival conta com a parceria das secretarias de Administração (SAEB), através da Superintendência de Atendimento ao Cidadão (SAC); de Comunicação (SECOM); de Educação (SEC); de Meio Ambiente (SEMA); de Saúde (SESAB), através da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (HEMOBA); de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), através do Serviço de Intermediação para o Trabalho (SINEBAHIA) e da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (SUDESB); de Políticas para as Mulheres (SPM); de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI); de Tecnologia e Ciência (SECTI); de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), através da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON) e de Turismo (SETUR),através da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa), além da Defensoria Pública do Estado da Bahia; da Empresa Gráfica da Bahia (EGBA), do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).