
Em uma cidade de menos de 50 mil habitantes, Nanuque (MG), o cineasta Joel Zito Araújo viveu sua juventude tendo os dois únicos cinemas da cidade como lugares que alimentavam sua paixão pelo audiovisual. Anos depois, ele lembra com nostalgia e compartilha com as cineastas brasileiras Larissa Fulana de Tal e Tuca Siqueira um pouco da sua trajetória na mesa Rupturas que Fizeram da Minha Vida um Filme, no primeiro dia do Festival Literário Nacional (Flin), nesta terça-feira (12), no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras.
Com um filme recém lançado nos festivais do Brasil sobre a vida e obra do multi instrumentista e criador do afrobeat Fela Kuti, Joel Zito é conhecido por discutir questões raciais desde os anos 90. Em um dos seus primeiros trabalhos, um documentário sobre o movimento sindical brasileiro, se destacou por fazer uma crítica ao protagonismo europeu nas discussões sobre socialismo no Brasil e denunciar a escravidão no país.
Depois de mais de 20 anos de carreira segue repensando e mostrando novas perspectivas sobre raça, a partir da lente cinematográfica. No seu mais recente filme sobre Fela Kuti, ele narra a história do músico a partir do olhar dos seus amigos, revisitando antigos arquivos para resgatar a luta ativista do artista. “Fela fazia canções políticas, era um internacionalista! Foi um dos grandes nomes do pan africanismo da segunda metade do século XX”, disse.

Larissa Fulana de Tal / Foto: Mateus Pereira / GOVBA
Durante a mesa, Joel Zito frisou a censura que vem ocorrendo na produção audiovisual do Brasil, a partir de cortes federais e dividiu conflitos junto às cineastas Larissa Fulana de Tal e Tuca Siqueira. Larissa aproveitou o momento para falar do protagonismo jovem na produção audiovisual brasileira e como essa visibilidade tensiona as estruturas sociais, causando contingenciamentos.

“Para mim, o maior exemplo é o grupo racionais. Hoje playboy escuta racionais. O que isso significa? Com o cinema é a mesma coisa. É impressionante como a gente consegue invadir a casa das pessoas pela imagem, pela internet e como a imagem influencia nossas vidas. Nossas vidas estão permeadas de imagem”, concluiu.
Até sexta-feira (15), o Flin leva uma série de artistas da Bahia e do Brasil, dividindo histórias e olhares sobre temas contemporâneos que atravessam a experiência de jovens de todo o país.