Escritora baiana lança livro no Novembro Negro do IGHB

19/11/2019
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Foto: Divulgação

É em pleno Novembro Negro, um dia após a data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, que a escritora baiana Sara Messias lança sua primeira obra. O livro “Aqualtune: Um sonho chamado liberdade” (Quarteto Editora, 2019) inaugura uma saga afro-brasileira quilombola capaz de fazer o leitor mergulhar em uma trama forte e emocionante. O evento acontece nesta quinta-feira (21), às 18h, no Panteon Pedro Calmon, na sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), entidade apoiada pelo Fundo de Cultura da Bahia através do Edital de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais, na Avenida Joana Angélica, em Salvador.

Através da trajetória da lendária heroína, o livro retrata a história de um povo marcado pela diversidade, riqueza cultural e pela mistura, fruto da interseção entre indígenas, negros e europeus. Sara, mulher negra, baiana nascida no bairro do Garcia, em Salvador, traduz a relação repleta de dor, crueldade e mortes entre esses povos. Com uma leitura leve e tocante, esse romance histórico convida o leitor a fazer uma verdadeira viagem no tempo, perpassando por cenários que evidenciam o sofrimento ao qual a população negra foi submetida: o Holocausto africano, o maior crime perpetrado contra a humanidade.

A escritora narra as aventuras de Aqualtune e ressalta a personagem como revolucionária, corajosa e destemida. “Ela cresceu em uma sociedade mista, foi instruída pelos sacerdotes portugueses e viveu em harmonia com a população europeia. A princesa do Reino do Congo, dona de conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, apesar de ser pouco lembrada nos livros e escolas brasileiras, foi muito importante para a história da população negra durante o Período Colonial”, conta.

Ficção e realidade – Apesar de não existirem documentos sobre Aqualtune, ela é conhecida no Brasil como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Até hoje, a heroína simboliza liderança e luta dentro do sistema escravocrata, tendo deixado esse legado através de seus herdeiros e de seu comando no quilombo. Sara Messias vai além e revela um retrato pouco conhecido de uma África do começo do século XVII, numa obra que mistura realidade e ficção. O livro leva ao leitor detalhes da infância e juventude de Aqualtune, até ser obrigada a se casar com seu primo e ver sua vida mudar radicalmente.

“Em pleno século XXI, ainda vivemos em uma sociedade racista, machista e opressora. Voltar a Salvador, que é a cidade mais negra fora da África, com um trabalho como Aqualtune, é levar para o meu povo uma história de luta e resistência, que ainda permanece nos dias atuais”, explica Sara Messias, que é formada em Turismo e atualmente vive na Itália. “Esse trabalho envolve identidade, pesquisa e paixão, com o propósito de contribuir para uma sociedade mais fraterna, igualitária e principalmente respeitosa dos direitos humanos”, conclui a autora. (Íntegra do release no anexo).

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Cultural e Editais Setoriais.
Serviço

Lançamento: Aqualtune – um sonho chamado liberdade
Quando: 21 de novembro, 18h
Onde: Sede do IGHB – Instituto Geográfico e Histórico da Bahia
Endereço: Avenida Joana Angélica, 43, Piedade (Salvador)