Raul Seixas ganha homenagem no Carnaval do Pelô

22/02/2020
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Projeto 3 Artistas - Raul 75: Bruna Barreto, Irmão Carlos Psicofunk e Orí / Foto: Almir Santos


O rock brasileiro invadiu o Carnaval do Pelô em pleno palco principal neste sábado, o segundo dia da folia mais diversa de Salvador, a do Centro Histórico. Acontece que os artistas Bruna Barreto, Irmão Carlos Psicofunk e Orí se uniram na homenagem RAUL 75. O repertório trouxe um mergulho na obra do nosso eterno maluco beleza, o inigualável Raul Seixas.

Nessa “metamorfose ambulante” que é o Carnaval do Pelô, os foliões presentes no Largo do Pelourinho pularam ao som de sucessos das décadas de 70/80 que consolidaram o gênero rock’n’roll no Brasil através do soteropolitano Raul Santos Seixas, também conhecido como Raulzito. Foi um apanhado da memória de seus 17 discos, distribuídos em 26 anos de carreira. Se estivesse vivo, o cantor completaria 75 anos no ano de 2020.

Irmão Carlos destacou a importância e necessidade de se ter esse pedaço da obra de Raul Seixas no Carnaval da Bahia. “Embora ele tivesse como base o rock’n’roll, entendemos que o rock’n’roll é interplanetário, é imortal, estando no universo inteiro e essa eraa base de Raul Seixas, um baiano que foi um pouco mal entendidopela própria Bahia,mas bem entendido e absorvido pelo resto do país. Enquanto RaulSeixista, digo que se eu não tivesse no palco estaria na plateia, porque essa é anossa representação para o país e para o resto do mundo”.

O cantor lembrou ainda que Raul Seixas foi um cara que negociou com o samba, conversou com o tango e foi para várias linguagens artísticas, não tendo orock’n’roll como limite e sempre como base, o caminho onde ele plantou o que ele quis. “Raul era um filósofopronto para entender qualquer linha filosófica de qualquer universo e falar em uma linguagem simples. Era genial demais, genial da conta, genial além do seu tempo, e daqui a 200 anos a gente vai ouvir a música e a obra de Raul Seixas como atual”.

Para Irmão Carlos, enquanto artista, estar no projeto Raul 75, comemorando 75 anos com uma turma sensacional de artistas com quem dividiu o palco no show, é um ponto importante para a sua carreira. “Acredito que esse projeto vai simbolizar esse Carnaval2020. Misturamos músicas que são voltadas mais para os fãs de Raul e outras que são conhecidas do público, como A Rita e Tente Outra vez”.

Declarando-se como um “punk raulseixista”, Irmão Carlos Psicofunk é cantor, compositor, produtor musical e agitador cultural, conhecido por sua performance inquieta, letras irreverentes e existenciais. Influenciado pelos anos 70/80, passeia pelo território da Black music e flerta com a música eletrônica.

Bruna Barreto é natural de Jequié, cidade do sudoeste da Bahia. Estuda música desde os seus 12 anos, e passou a se apresentar profissionalmente aos 16. Toca e canta em diversos locais de Salvador desde os 19, quando se mudou para a capital. Participou da segunda temporada do programa televisivo The Voice Brasil.

Oríé um compositor e instrumentista baiano que teve a sua identidade formada por toques de tambores e a psicodelia da guitarra baiana. Tem uma relação de proximidade com o Pelourinho, onde realizou seu primeiro show, no Largo Tereza Batista, dando início ao seu projeto pessoal, Oriundos do Brasil.

No palco, os cantores foram acompanhados por um time de peso, formado porAlexandre Vieira (baixo), Dimazz (guitarra e guitarra baiana), Sidnei Santos (bateria), Vinicius Freitas (sax) e Matias Traut (trombone).
Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Guta Barros