Largo Tereza Batista vira espaço para o carnaval do Rap

24/02/2020
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Mr Armeng / Foto: Ramon Lebre


Os rappers baianos Mr.Armeng e Vandal,conhecidos no cenário do Hip Hop nacional e da musica baiana,atraíram os foliões na tarde desta segunda-feira (24),para o Largo Tereza Batista, no Carnaval do Pelô. A festa foi iniciada com o show Meu Rap é Hip Hop, de Armeng, seguida da apresentação de Vandal.

A cantora Sued Nunes esteve na plateia apreciando o show e o repertório diferente de Mister Armeng e banda. “É muito bom todo esse som. Não conhecia ainda o trabalho dele e para mim está valendo muito”. No repertório, acompanhado pelo público, músicas como A Noite é Nossa, Eu Vim de Lá, O que tiver que ser,além de releituras como Ilê Aiyê (Que Bloco é esse ).

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Sued Nunes / Foto: Ramon Lebre

A apresentação de Armeng contou com a participação de convidados como a Soul, Tá! Crew e a Crew Feminina, grupos de dança de rua, além do artista plástico grafiteiro Oliver Dórea, que fez tela de grafite durante o show. “A nossa intenção é essa, levar ao palco um show vigoroso, com ideias e mensagens, mas sem deixar de lado a nossa musicalidade”.

Acompanhado por uma banda formada por DJ, guitarra e percussão, o artista encantou com a junção da máquina com o tambor, do tradicional ao digital, apresentando uma sonoridade com fortes referências da Bahia, sem deixar de dialogar com o mundo. “No show me apresentei com um DJ e um percussionista, trazendo também elementos percussivos baianos dentro de nossa música, porque acredito que o Rap de Salvador precisa ter essa identidade. O tambor é a nossa arma e o nosso escudo e precisamos defendê-los e trazê-los para junto de nós”, destacou Mr. Armeng.

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Vandal / Foto: Lucas Rosário

Após o show de Armeng,a música Rap continuou mostrando que ganha, cada vez mais, espaço no caldeirão musical do Carnaval da Bahia. No mesmo palco,os foliões esperaram pelo show do rapper Vandal, que se apresentou com a DJ Bruxa Braba e o DJ Poeira, profissionais que também já têm uma história em Salvador quando o assunto é Hip Hop.

Vandal ressaltou que estar no carnaval é muito importante, sobretudo,para tocar no Pelourinho,por já ter sido morador do Centro Histórico.Ele também destacou que viveu essa efervescência da folia no bairro da Cidade Nova, com o desfile de blocos antigos. “Esse foi um bairro que me fez beber muito das festas de largo, das festas populares. E o carnaval é muito intenso. Trabalho no carnaval como Baiana System, no Navio Pirata,viajo pelo país e faço também diversos festivais. Esse ano fizemos o Furdunço”, disse.

Para o rapper, a participação no Pelourinho só o engrandece enquanto artista. “Me identifico muito com as praças do Pelourinho, sou apaixonado por essa cultura,pelo Olodum. Tenho respeito pela música produzida nessa cidade de São Salvador e estou feliz em participar como solo, com forma e nuances minhas,fazendo um show completo, extenso,com possibilidades de tocar várias músicas”.

O rapper trouxe para o palco,como convidada, Áurea,jovem negra de Cajazeiras , voz feminina do rap de Salvador, e Ivete Nobre,também de Cajazeiras, uma referência para o trabalho do artista. “É um profissional que produz os seus próprios instrumentais e tenho músicas com ele já gravadas e algumas para serem lançadas futuramente. Estou muito feliz em estar no Carnaval do Pelourinho. Sou oriundo do bairro da Cidade Nova, onde conheci as festas de largo. Nasci no carnaval, em 10 de fevereiro,neste sagrado e profano”.

Amanhã (25), último dia de Carnaval do Pelô, a cultura rap continua em evidência no Largo Tereza Batista. Começa às 15h com o rapper Nouve, jovem MC, morador do bairro de Cajazeiras, que canta as suas vivências. Em seguida, às 17h30, é a vez da banda Nova Era representar o hip-hop na folia.

Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, que segue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Guta Barros