
O Museu Tempostal lançou um convite para as pessoas que estão em isolamento social neste tempo de pandemia. Trata-se da campanha “Um museu na minha casa”, uma proposta para que as pessoas criem um museu com seus objetos pessoais que representem sua ancestralidade e identidade. O material da campanha será divulgado posteriormente nas redes sociais da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).
“Com o isolamento social acabamos ficando a maior parte do tempo dentro das nossas casas e, com isso, temos mais tempo para estarmos próximos dos nossos entes queridos ouvindo as histórias e conhecendo as habilidades particulares de cada um. Temos, ainda, mais contato com os objetos afetivos que fazem lembrar e aproximar dos familiares próximos ou distantes. Essa atividade é importante e divertida ao mesmo tempo, pois mostra que nossos objetos têm significados diferentes e que, pra se criar um museu, só precisamos das nossas memórias e da importância que damos a elas”, explica a coordenadora do museu, Aiala Gonçalves, informando ainda que o prazo de participação é até 15/07.

A contadora de histórias e pedagoga Helena Vitória Nascimento dos Santos, é um das participantes. Ela mandou fotos do museu “Narrativas de Afroafetos”, um espaço da casa dela construído como ambiente para as lives e contações de histórias que realiza para transmitir no YouTube. “Neste museu exponho brinquedos afirmativos produzidos para o projeto ‘O que tem atrás da porta?’, com contação de histórias de livros de escritores negros para divulgação da produção autoral de literatura negra brasileira. O museu é composto por estes livros, por uma sombrinha, uma boneca Abayomi e a porta simbólica do projeto. O nome do museu se dá porque iniciei a campanha ‘Narrativas de Afroafetos’ no Instagram com o objetivo de falar sobre as afetividades entre negros e trazer registros fotográficos e vídeos que mostrem a relevância das famílias pretas como forma de resistência e combate ao racismo. Este meu museu é pensado como espaço literário e afetivo onde transmito meu axé ao meus pequenos e grandões em cada intervenção virtual”, explica.

“Museu dos Amigos” é o nome do museu de Yara Chamusca, restauradora e conservadora do IPAC que também está participando da campanha. “Ao longo da minha vida fui construindo um acervo de objetos interessantes e decorativos, recebidos pelo carinho dos amigos. Com o objetivo de conservá-los sempre, mantive-os guardados cuidadosamente. Um dia percebi que eram muito ricos em histórias e que não deveriam continuar escondidos. Assim tive a ideia de fazer um pequeno museu. Reservei uma parede para recebê-los, embelezando minha casa e ao mesmo tempo prestigiando meus afetos em quanto expunha minhas pequenas lembranças de arte”. A parede “museu” tem, entre outros itens: roca de fiar, bonecos e animal de celulose, coleção de miniaturas de imagens sacras, parafuso de madeira (fragmento de bancada de marcenaria – presente de um amigo marceneiro), máscara de madeira estilo africano, entre tantos outros.
Como participar – Fotografe um espaço dentro de sua casa com objetos que representem o seu museu particular e escreva um pequeno texto explicativo e evidenciando a importância das peças. Neste texto coloque ainda o título do seu museu, seu nome completo, idade, profissão e contatos (telefone e endereço completo). Depois envie o material para o e-mail museutempostal.dimus@gmail.com até 15/07. No assunto do e-mail escreva “Um museu na minha casa” + o título do seu museu.
A campanha foi lançada na última live realizada pelo museu, em 19/06, quando a convidada Cássia Valle (atriz, museóloga, escritora e diretora do espetáculo “Sarauzinho da Calu”) contou a história “Calu: uma menina cheia de histórias”, livro lançado por ela e Luciana Palmeira. A ideia da campanha nasceu a partir deste livro que conta a história de uma menina que cria um museu da sua cidade ressaltando a importância do sentimento de pertencimento da população para o patrimônio material e imaterial.
O Tempostal – O acervo do Museu Tempostal é composto por postais, estampas e fotografias, em sua maioria, procedentes da coleção de Antônio Marcelino do Nascimento. As peças, datadas do final do século XIX e meados do século XX, representam imagens de valor histórico, artístico e documental, não só da Bahia e do Brasil, mas também de diversos países do mundo, sobre as mais variadas temáticas. O Museu Tempostal integra os espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).