
Lançado em 2020, o “TCA de Braços Abertos” é uma janela oferecida pelo Teatro Castro Alves (TCA) para exibição de variadas iniciativas culturais em seu canal de YouTube (www.youtube.com/
Quem dá a largada da programação, no dia 14, é “Carybé em 3 Linhas”. O projeto Ateliê de Coreógrafos Baianos, inspirado no Ateliê de Coreógrafos Brasileiros (2002 a 2006), apresenta esta proposta artística baseada no universo plástico do grande pintor Carybé, um apaixonado pela dança, e que se desdobra em três atos: “Depois, o Tempo que Não Existe”, de Jorge Silva, “Memória das Águas”, de João Perene, e “Xirê de Mulheres”, de Edileuza Santos.
O Ateliê de Coreógrafos Brasileiros movimentou a cena da dança na década de 2000, contemplando coreógrafos de todas as partes do país e tornando-se referência na história da dança contemporânea brasileira. As atuais iniciativas do Ateliê de Coreógrafos Baianos, assim como o Ateliê inspirador, têm a concepção e direção artística da bailarina e gestora cultural Eliana Pedroso. “Para a criação do espetáculo ‘Carybé em 3 Linhas’, busquei três coreógrafos baianos com identidades coreográficas diversificadas, e os uni em um mesmo ponto de inspiração: o universo plástico de Carybé, onde o movimento está sempre presente e é muito inspirador para os artistas da dança”, lembra Pedroso.
Para o coreógrafo João Perene, os quadros de Carybé – “O sol”, “A tentação de Antônio”, “Samba” e “Na lagoa” – serviram de inspiração para a construção do roteiro coreográfico de sua obra. “‘Memória das Águas’ é uma ode ao mestre Carybé, ao colorido, à alegria, ao misticismo e à sedução do povo baiano, que ele soube tão bem delinear em uma tela em branco. Suas figuras marcantes foram fontes inesgotáveis para a pesquisa de movimentos que viriam a habitar os corpos de cada bailarino e bailarina envolvido no projeto”, revela Perene.
Já Jorge Silva se inspirou em uma escultura de Exu, orixá da comunicação e da liberdade, para criação e concepção de “Depois, o Tempo que Não Existe”: “A ideia central é, a partir da obra, trazer para a cena algumas particularidades dessa divindade, em uma leitura pessoal, através de arquétipos comuns de Exu, aliados à nossa vida terrena e dialogando diretamente com as nossas existências”, conta Silva.
Coreógrafa de “Xirê de Mulheres”, Edileuza Santos acredita que toda criação artística, desde a apresentação da estética e da narração, tem como finalidade construir um pensamento político. “Desenvolvi uma performance que tenta estabelecer um diálogo entre a obra de Carybé e a diáspora africana, e anunciar um futuro em que as mulheres tenham potencial para construir uma sociedade nova e diversa, embalada na ancestralidade negra dentro do universo dos orixás e em busca de um futuro menos conflitante”, detalha Edileuza.
O espetáculo “Carybé em 3 Linhas” foi realizado com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.
Próximas edições – O “TCA de Braços Abertos” exibirá mais dois espetáculos de dança em abril: “Tsunami”, do Balé Jovem de Salvador, no dia 21, e “Estio_rito em lapso”, de Nii Colaboratório, no dia 28.
“TCA de Braços Abertos” apresenta
“Carybé em 3 Linhas” – Ateliê de Coreógrafos Baianos
Concepção e direção artística: Eliana Pedroso
Ato I – “Depois, o Tempo que Não Existe”, de Jorge Silva
Ato II – “Memória das Águas”, de João Perene
Ato III – “Xirê de Mulheres”, de Edileuza Santos
Quando: 14 de abril de 2021 (quarta-feira), 19h
Onde: Exibição através do canal do Teatro Castro Alves no YouTube