
Em parceria com a família do cineasta baiano Glauber Rocha, a Fundação Cultural do Estado trabalha, atualmente, em torno do projeto Tempo Glauber Digital, que constituirá um banco público em plataforma virtual para que a obra intelectual e parte do acervo pessoal digitalizado do cineasta possam ser acessados pela sociedade.
Neste acervo estão argumentos, roteiros, artigos, crônicas, peças de teatro e pinturas produzidas por Glauber. Terá ainda fotos e filmes restaurados. Além desta ação, o projeto prevê a montagem de um espaço expositivo, composto também por alguns objetos como: o punhal utilizado no filme “Deus e o Diabo na terra do sol”, a espada utilizada no filme “A idade da terra”, e uma câmera 16mm que pertenceu ao artista.
“É um projeto que vai garantir a sobrevida da obra do Glauber, urge a necessidade de sistematizar o acesso público a esta obra. São 50 mil documentos que foram tratados e digitalizados para este fim. É um projeto moderno, com o espírito do Glauber, da sua obra, que é uma visão para o futuro”, pontua Paloma Rocha, filha do cineasta.
O espaço contará com contribuições do GT de Preservação e Memória – gerido pela Diretoria de Audiovisual da Funceb (Dimas) e composto por instituições acadêmicas e de preservação. Para o desenvolvimento tecnológico do espaço, a parceria está sendo desenvolvida com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado da Bahia (Secti).
“É um projeto cultural potente, que fala muito sobre cinema, política e arte. Esse projeto propõe um espaço dentro de um novo tempo, que é o digital, o tempo da web, de uma nova comunicação e seu legado é mundial e eterno. É o legado que Glauber tem pra Bahia, e essa atitude do governo do estado é a sua mais viva expressão”, diz Paloma.
O projeto Tempo Glauber Digital integra as políticas de preservação e memória do Audiovisual baiano, capitaneadas pela Cinemateca da Bahia – gerida pela Dimas. A Cinemateca da Bahia vem empenhando esforços também no tratamento, sistematização e catalogação do acervo por ela administrado.
Em 22 de agosto, completam-se 40 anos do falecimento deste que foi e continua sendo um ícone no cinema baiano e mundial. Glauber Pedro de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, no dia 14 de março de 1939. Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Rocha liderou um movimento que pregava um cinema nacional autêntico, “O Cinema Novo”, voltado para uma temática social.
Preservação e Memória
A Cinemateca da Bahia visa preservar a memória do audiovisual baiano, salvaguardar bens materiais e imateriais, estimular a pesquisa e dinamizar o acesso do público, tanto à história do audiovisual baiano quanto aos registros da história do Estado realizados através de imagens em movimento. A Cinemateca da Bahia reúne, atualmente, o mais importante acervo do segmento no Estado, composto por aproximadamente 10.000 itens como películas cinematográficas, vídeos, DVDs, cartazes, fotografias, revistas, catálogos, livros e roteiros, que contam parte significativa da história do cinema baiano, do século 20 aos dias de hoje, além de contar com peças referentes ao cinema brasileiro e internacional. A Cinemateca da Bahia está localizada na sede da Dimas, na Rua do Tijolo, nº 15 – Centro Histórico/Salvador.