
O Gabinete Português de Leitura promove mais uma edição do Minicurso “Fundamentos de Língua Iorubá-Nagô para Iniciantes”. Os encontros serão realizados de 23 de setembro a 21 de outubro de 2021 (terças e quintas, das 17h às 19h), através da plataforma zoom, com certificação e carga horária de 20 horas (aulas ao vivo e ensino/aprendizado suplementar). Será ministrado pelo professor mestre e Mawó Adelson de Brito, Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô.
Durante o curso, o público poderá compreender que a língua Nagô falada no Candomblé é, em verdade, uma língua conversacional, ou seja, uma língua viva (como o Inglês, o Frances, o Português, etc.). Além disso, será demonstrado que a língua Nagô ou língua Iorubá possui uma estrutura formal léxica e sintática. Quer dizer, a língua Iorùbá-Nagô falada todos os dias nas Casas de Candomblé de Queto ou Candomblé Nagô e nas práticas litúrgicas das religiões de matriz africana relacionadas com essas tradições afrorreligiosas (não é uma língua morta como é o Latim, por exemplo).
“Em verdade, a Língua que chamamos de Língua Nagô é a Língua Iorubá e que, por conta da Diáspora, é falada em várias partes do mundo pelos Iorubás e seus descendentes, como é o nosso caso, descendentes dos Nagôs que somos. Os exemplos proporcionados pela relação entre o Português de Portugal com o Português de Angola, ou de Moçambique ou da Guiné–Bissau, espelham o mesmo padrão que acontece entre o Nagô da Bahia e o Iorubá da Nigéria. São uma só língua, guardados os particulares sotaques”, explica o professor Adelson de Brito.
A língua Iorubá-Nagô já foi uma Língua franca entre os negros que viviam escravizados na Bahia. Só a título de esclarecimento, Língua franca é a forma de comunicação oral eleita por grupos de pessoas que convivem em mesmo espaço geográfico, mas que não comungam uma mesma língua, como foi o caso das pessoas escravizadas que viviam na Bahia do período colonial.
É preciso lembrar que os portugueses classificavam as diversas etnias africanas de forma genérica, sem levar em conta suas respectivas línguas e culturas. Em termos gerais, pode-se classificar as culturas africanas vindas ao Brasil em três grandes grupos: sudaneses, guinenos-sudaneses muçulmanos e bantus. Questões étnico-religiosas aliadas a experiências e vivencias urbanas trazidas por grupos étnicos de fala Iorubá, levaram os nagôs a posição de grupo gerador de influência entre os negros de tal sorte que a sua língua se tonou uma forma de comunicação oral muito popular entre os vários grupos étnicos que conviviam por toda a região do Recôncavo.
O investimento de R$ 50,00 (cinquenta reais) é simbólico, para manutenção das atividades do GPL. O link de inscrição está disponível no site www.gplsalvador.org ou na plataforma sympla.
A iniciativa integra a programação do projeto “Gabinete Português de Leitura: a cultura portuguesa viva na Bahia”, com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
Sobre o instrutor: Adelson de Brito é Mestre em Saúde, Ambiente e Trabalho pela Faculdade de Medicina da UFBA e Licenciado em Física. É Sacerdote do Candomblé Jeje e exerce as suas funções religiosas na Tradição de Matriz Africana Jeje-Nagô, no cargo de Mawó (Ministro de Grande Confiança e Embaixador entre as Culturas Jeje e Nagô) tem se tornado o foco da sua atuação.
SAIBA MAIS:
O idioma Iorubá é Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro desde setembro de 2018 e de Salvador (cidade mais negra do mundo fora do continente africano), desde dezembro de 2019. A língua Iorubá-Nagô é falada em vários países do mundo, como Brasil, em Cuba, Togo, Costa do Marfim, Venezuela, Trinidad-Tobago, no Sul dos Estados Unidos, no Togo. Os Iorubas são um grupo étnico da África Ocidental. No mundo todo, eles somam cerca de 45 milhões de indivíduos dos quais 35 milhões vivem na Nigéria. Eles constituem cerca de 20% da população daquele país, junto com outras etnias, dentre as quais estão: Akan, Hausá-Fulani, e Igbo, os Iorubas formam um dos maiores grupos étnicos na África. São uma metaetinia, um guarda-chuva étnico que abriga várias sub-etnias, tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèṣà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn etc.
PROGRAMAÇÃO
Ẹ̀kọ́ kìnní/Primeira Lição
ÀWỌN ỌMỌ ODUDUWA/OS FILHOS DE ODUDUA
Àwọn ọmọ Yorùbá wá de ni Amẹ́rikà/ A chegada dos Iorubas à América.
ABD, Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ABD, o Alfabeto Iorubá.
Àwọn Fáwẹ̀lì Yorùbá/ As vogais Iorubá
Awọ̀n kọ́ńsónàǹtì Yorùbá/ As consoantes Iorubá
Ìyàtọ̀ láàárín Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá àti ti Gẹ̀ẹ́sì.
Ìró ohùn ni òpó èdè Yorùbá/ O tom é o pilar da língua Iorubá.
Ìlànà fún pípe Álífábẹ́ẹ̀tì Yorùbá/ Orientação para a pronúncia das letras do Alfabeto Iorubá.
Ètò ọ̀rọ̀ ni a ń pè ni Mọfọ́lọ́jì/Estrutura das palavras ou Morfologia
Jẹ́ ki a sọ Yorùbá / Vamos falar Iorubá
Isọ̀rọ̀ngbèsì / Diálogo
Àwọn ọ̀rọ̀ / vocabulário
Àwọn lẹ́tà tí ó máa ńsábà /As letras usualmente difíceis
Àwọn ọ̀rọ̀ ti o tọka si eniyan ibi tabi nkan (àwọn ọrọ) / Palavras relacionadas a gente, ou coisas (substantivos)
Ẹ̀kọ́ keji/ Segunda Lição
ÌKÍNI TABI KIKI NI JE̟ ÀŞÀ PÀTAKI NINU ÀWỌN YORÙBÁ / A SAUDAÇÃO OU CUMPRIMENTO É UMA TRADIÇÃO IMPORTANTE PARA OS IORUBÁ
Ẹ jẹ́ ki a bẹ̀rẹ̀ lò Yorùbá!!! /Vamos começar a usar o Iorubá
O Kíkí àwọn àgbà àti ẹni tí ó junilọ /Cumprimentando as pessoas idosas e aquelas mais velhas do que você
Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá
Ìkíni láàrin ọjọ́ / As saudações ao longo do dia
Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Kinni/Diálogos: primeira parte
Ṣẹ́gun ń ki bàbá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Segun cumprimenta o pai cedo pela manhã
Ọmọbinrin kan ń ki ìyá rẹ nigbati ó ba wọle/A fiha cumprimenta a mãe que chega em casa
Tunde ati Titi ń ki ìyá rẹ ni òwúrọ̀ kùtùkùtù/Tunde e Titi cumprimentam a mãe deles cedo pela manhã
Ṣadé ń ki ọ̀rẹ́ rẹ, Funmi, ni ilé-ìwé ni ọ̀sán/ Sade cumprimenta sua amiga, Funmi, na escola pela tarde
Ọ̀rọ̀ ninu kíláàsì / Comunicação em Sala de Aula
Ojoojúmọ́ aye/ A vida cotidiana
Ẹ jẹ́ ki n kawé!!!/Vamos ler!!!
Ẹ̀kọ́ kẹta/Terceira Lição
KIKỌ ATI KIKA NI YORÙBÁ/ESCREVENDO E LENDO EM IORUBÁ
Ẹ jẹ ki a gbé èdè àti àṣà Yorùbá Lárugẹ! / Vamos manter a viva a Língua Iorubá!
Àwọn ọ̀rọ̀ tí a fi dípò orúkọ tabi àwọn Alòfò/As palavras usada em substituição ao substantivos, ou seja, pronomes
Atọkun ọ̀rọ̀ /Preposições
Àwọn gbolohùn ti wúlò fún alákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes
Kíkí àwọn ara ilé / Saudando as pessoas de casa
Orúkọ àwọn ẹranko ni Èdè Yorùbá/ Nomes dos Animais em Iorubá
Kikọ ati kikà ni Yorùbá/Escrevendo e lendo em Iorubá
Ẹ̀kọ́ kẹ́rin/Quarta Lição
ÈDÈ YORÙBÁ: LÒ Ó, BẸ́Ẹ̀ KỌ́ ÌYỌ YÓÒ PÀDÁNÙ RẸ̀/
LÍNGUA IORUBÁ: USE-A, OU ENTÃO, ELA SE PERDERÁ
Òdi ni èdè Yorùbá/Negação em Iorubá
Èdè yorùbá: Lò ó, bẹ́ẹ̀ kọ́ ìyọ yóò pàdánù rẹ̀/Língua Iorubá: use-a ou ela se perderá
Àwọn ìtan ti àwọn ọjọ́ to wà nínu ọsẹ/A história dos dias da semana
Kojoda / O calendário
Jẹ ka sọ Yorùbá!/Vamos falar Iorubá!
Àwọn Isọ̀rọ̀ngbèsì Apa Keji/Diálogo: segunda parte
Ẹbí Adéwálé náà/ A Familia de Adewale
Aṣọ ni Èdè Yorùbá/ Roupas em língua Iorubá
Iṣẹ́ ṣíṣe/Exercícios
Ẹ̀kọ́ karùnún/Quinta Lição
NI ỌJỌ́ ẸTI, ỌJỌ́ KARUN TI A TI BẸ̀RẸ̀ ILÉ-IWÉ NI Ọ̀SẸ̀/ NA SEXTA-FEIRA, QUINTO DIA DA SEMANA DESDE O COMEÇO DA SEMANA ESCOLAR
Òǹkà Yorùbá/Contagem em Iorubá
Awọn ìbèèrè ni Yorùbá/ Fazendo perguntas em Iorubá
Orúkọ mi ni Adébọ́lá/ Meu nome é Adebolá Wúlò gbolohùn fun alákọbẹ̀rẹ̀ / Frases úteis para iniciantes
Dáhùn àwọn ìbéèrè wọ̀nyí ní ẹ̀kúnrẹ́rẹ́/ Responda as seguintes questões usando formas completas.
Yoruba Ye mi/Eu entendo o Iorubá
Programa Aldir Blanc Bahia - Criado para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, o Programa Aldir Blanc Bahia (PABB) visa cumprir os incisos I e III da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020) e suas regulamentações federal e estadual. As ações são: a transferência da renda emergencial para os trabalhadores e trabalhadoras da cultura, e a realização de chamadas públicas e concessão de prêmios. O PABB tem execução pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, geridas por meio da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura e do Centro de Culturas Populares e Identitárias; e as suas unidades vinculadas: Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundação Pedro Calmon, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural.