27/08/2021

A obra tem como proposta reunir memórias, a revelação de alguns universos subjetivos e íntimos, breve testemunho da Salvador que desperta o interesse simbólico e material, daquilo que faz sentido para o autor e ele apresentou nessa pequena novela orquestrada através de cinco contos que fala sobre vida e morte.
É como diz Rosa Monteiro, jornalista e escritora espanhola: “para viver temos de narrar-nos; somos um produto da nossa imaginação. A nossa memória, na realidade, é uma invenção, uma história que vamos reescrevendo todos os dias (o que recordo hoje da minha infância não é o que recordava há vinte anos); o que significa que a nossa identidade também é ficcional, uma vez que se baseia na memória. Aliás, sem essa imaginação, que completa e reconstrói o nosso passado, e que dá ao caos da vida uma aparência de sentido, a existência seria enlouquecedora e insuportável: só ruído e fúria”.
Sobre a obra, o autor, baiano de Salvador, nascido e crescido no Rio Vermelho entre histórias de pescador e livros de Stefan Zweig, conceitua: “esta é a história de como Santa tornara-se santa após seguir os ventos de Iansã com destino ao orún. Em dia de festa, no Largo do Pelourinho. Santa de Souza, respeitável anciã, benzedeira poderosa da Ladeira da Preguiça, mãe de Araquém, amiga de Sorriso, irmã de santo de Mãe Marcolina, filha de Obaluaiyê e de Oxum; agora, santa de verdade, moradora da Casa de Yemanjá, posicionada à esquerda do altar, de gesso e madeira, pintada de azul, enfeitada com búzios e miçangas, com pecado e com milagre, simpática e brincalhona, amiga do pároco de Santana, sempre pálido de medo quando diante do fuzil de plástico que bravamente empunha no pescoço sagrado”. A obra cartografa, despretensiosamente, a magia reconhecida que há neste porto do Atlântico Negro, chão do amor de Catarina Paraguaçu e Diogo Álvares Caramuru, cidade cujos corpos vivos são a garantia do encantado no aiê, força e representação dos santos afro-indígena-brasileiros, do misticismo do candomblé, das cabolcas feiticeiras do sertão.
O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
SERVIÇO
Lançamento do livro Heróis Fabulosos – Memória e fantasia na Cidade da Bahia
Quando: 30 de agosto 2021, às 20h
Onde: perfil do autor instagram @tiagonery