16/09/2021

“Me sinto imensamente honrada e feliz. O Prêmio representa um impulso maravilhoso para a minha produção, além de poder colaborar com a fotografia de alguma forma”, revela a fotógrafa Caroline Krieger. A artista foi premiada com o valor de R$ 30 mil pelo ensaio “até que voo e pouso se reconheçam asa”, aprovado na Categoria 3 - Livre temática e técnica da 8ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, organizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.
A categoria buscou um ensaio fotográfico documental, que registrasse de forma livre, inclusive as experimentações dos processos alternativos, e que trouxessem aspectos despercebidos na observação do cotidiano. Para isso, Carolina buscou inspiração a partir da leitura do livro “O Poder do Mito” de Joseph Campbell. As imagens do ensaio apresentam-se como uma travessia percorrida nos recônditos do ser. Travessia esta que encontra semelhanças no mito da saga do herói.

O herói, figura arquetípica - que se repete em cada um de nós - parte rumo à aventura da existência. Costumo imaginá-la como uma floresta densa, assustadora e ao mesmo tempo absolutamente fascinante. Assustadora porque adentrá-la significa acessar conteúdos desconhecidos acerca de nós mesmos e nos impele a abandonar todas as noções fixas. Fascinante porque diz respeito a unir-se novamente à natureza essencial, conhecer o mais íntimo e experimentar um novo modo de existir. É uma transformação imensa e irreversível”, conta Carolina sobre a inspiração do ensaio premiado.
A artista produziu as 19 imagens do ensaio a partir de fotografias autorais, apropriações do álbum de fotografias da família e, também, livros antigos adquiridos em sebos, utilizando as técnicas de colagem manual, fotografia analógica e desenho com carvão. No ensaio ela propõe um retorno ao tempo mítico, aos saberes ancestrais que reconheciam na natureza o seu caráter sagrado.

“Até que voo e pouso se reconheçam asa suscita a importância do mergulho em si como via fundamental de transformação individual e, por conseguinte, coletiva. Ou seja, reflete sobre o autoconhecimento como possibilidade de potência heroica. Tal experiência é capaz de afetar profundamente a visão de mundo e, dessa forma, a maneira como nos relacionamos com o próximo e a natureza”, diz.
Carolina Krieger - é fotógrafa autoditada, nasceu em Balneário Camboriú- SC, onde vive e trabalha atualmente. Participou de diversas exposições e festivais. Foi contemplada com o Prêmio Brasil Fotografia em Porto Seguro - Prêmio Aquisição (2013); participou da exposição individual Onde estamos quando estamos no mundo? – Galeria Lote 84 – Balneário Camboriú, SC (2018); O Espelho do Avesso - Lianzhou International Photo Festival – China (2013); O Espelho do Avesso - Galeria Ateliê Aberto - Campinas, SP (2012).