
O Foyer do Centro de Cultura de Alagoinhas se transformou, na noite de ontem, quarta-feira (16), para receber a primeira edição de seu novo projeto estratégico, o A Quarta É Nossa. Em uma noite marcada por abraços e conversas, os artistas e o público alagoinhenses, finalmente, se reencontraram após dois anos de pandemia para celebrar a vida e a arte. E apesar de trazer grandes artistas da cidade para esta estreia, o A Quarta É Nossa fez uma noite generosa e diversa, compartilhando o protagonismo entre as muitas vozes e corpos presentes. Ao deixar o microfone aberto para o público, o que se viu foi uma mostra plural e potente do cenário artístico de Alagoinhas.

A dramaturga e diretora de teatro, Onisajé no comando do bate-papo
O espaço do Foyer ganhou uma intervenção com andaimes e iluminação cênica, que criou dois ambientes para apresentação dos artistas: de um lado duas poltronas para o bate-papo entre a dramaturga e diretora de teatro, Onisajé, e o artista visual Pinho Blures; de outro, o palco para os shows de Maurício Santana, e João Sereno e sua banda. No centro deste cenário, o microfone que foi aberto para a participação dos artistas e público presentes, que podiam tanto interagir com o bate-papo, quanto apresentarem uma performance. “O formato proposto pelo projeto, com a criação de dois ambientes, trazendo também o público para o centro do acontecimento é muito bom e deve continuar nas próximas edições”, comentou Onisajé, que, na noite de ontem, apresentou poemas homoeróticos e bateu um papo com Pinho Blures sobre afetividades. “A roupa que a sociedade costurou pra mim nunca me coube e eu nunca quis vesti-la, então eu quis ser livre, eu quis ser o que eu queria ser”, foi assim que ela iniciou essa conversa para afirmar que coletividade e indivíduos precisam dialogar para superar tabus que ainda envolvem o erótico e a diversidade de gênero e sexualidade.

Pinho Blures deixou sua arte registrada
Artista visual, fisioterapeuta e professor de anatomia humana, Pinho Blures destacou a importância da afetividade neste processo. “É pela afetividade que eu contribuo com a formação de uma enfermeira, por exemplo, para que ela conheça e respeite o seu corpo e seja capaz de respeitar também o corpo do paciente seja ele quem e como for”, afirmou ele. Os estudos e reflexões de Pinho sobre corpos e afetividades no ambiente acadêmico, perpassam também a sua produção artística, marcada por desenhos de figuras humanas e cubos, que são ao mesmo tempo caixas e corpo, e que podem tanto revelar quanto esconder. Após o bate-papo, o público pode acompanhar de perto a criação de um dos seus desenhos, feito durante o evento em uma das paredes do Centro de Cultura.
Esta primeira edição do projeto A Quarta É Nossa marca também o início da nova gestão do Centro de Cultura de Alagoinhas, que pretende enfatizar o potencial do Foyer como espaço de criação e fruição, uma vez que a Sala de Espetáculos está passando por uma reforma no forro e no telhado. A fachada do espaço também está sendo modernizada, com a substituição do muro por gradil, ampliando a visibilidade e a abertura entre o Centro de Cultura e a cidade.
Microfone aberto – Durante o bate-papo entre Onisajé e Pinho Blures, o microfone foi aberto para a participação do público, que de forma descontraída topou a brincadeira. Entre pessoas que aproveitaram para rememorar histórias e fazer agradecimentos, também teve quem preferiu declamar poesia, cantar e dançar. Com a casa cheia de artistas que foram prestigiar a estreia do A Quarta É Nossa, a noite virou também uma grande confraternização, e um momento de os artistas se verem e se aplaudirem.
Marcaram presença nomes como João Lopes; Ninno Moura; Tauã Visceral; Aline Lucena; Deny, Mamah e Adriel da banda Sangue Real; Anny Rastelli; Heitor Rocha; Wenderson Geovane; Berna Alves; Joan Souza; Lucas Costa; Osvaldo Bola; Tonhão; Rafael Fonseca; Antonio Jorge; além de grupos residentes do centro como Life of Dance, Teatro Arte e Descoberta e Cia de Arte Ninno Moura. O professor e escritor Vagner Santos aproveitou a oportunidade para doar ao projeto A Quarta É Nossa um exemplar do seu livro “Depois de Hoje”, publicado recentemente pela Quarteto Editor. Também estiveram presentes o ex-coordenador do Centro de Cultura de Alagoinhas e representante do mandato do deputado Joseildo Ramos, Tárcio Mota; a jornalista Nadia Freire; as professoras Railda Valverde, Ísis Fávila, Simone Passos; Cristiane Santos, assessora e representante do mandato do vereador Thor de Ninha; e Janilson Santos, assessor e representante do mandato da vereadora Luma Menezes.

Shows – Para embalar a noite, duas atrações musicais, sendo uma já bastante conhecida do público por fazer barzinho há muitos anos na cidade, e outra representante da nova geração de artistas da cidade: Maurício Santana e João Sereno. Maurício abriu o evento com seu show intimista voz e violão, e, além de suas canções autorais, cantou artistas consagrados como Gonzaguinha, fazendo o público cantar junto com ele.

O cantor João Sereno representou a nova geração de artistas locais
E quem encerrou a noite foi o jovem cantor e compositor João Sereno, acompanhado por sua banda, que apresentou canções de seu primeiro EP, surpreendendo o público pela qualidade musical. Além de suas canções que passeiam por ritmos como o samba e o ijexá, João tocou canções de alguns artistas que o inspiram como João Bosco e Gerônimo.
Espaços Culturais da SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), e localizados em diversos Territórios de Identidade. Destes, cinco encontram-se em Salvador - Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro de Cultura de Plataforma e Espaço Cultural Alagados - e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista.