Começam em São Paulo as comemorações pelos 100 Anos de Rubem Valentim

01/04/2022
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Foto: Divulgação

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, representada por Arany Santana, secretária de Cultura, João Carlos Oliveira, diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e Pola Ribeiro, diretor do Museu de Arte Moderna (MAM-Bahia), participa nesta sexta-feira (01.04), na Almeida & Dale Galeria de Arte, localizada no bairro Jardim Paulista, na cidade de São Paulo, da abertura oficial da exposição ‘Ilê Funfum’ que celebra ‘Centenário de Rubem Valentim’, artista baiano (1922-1991), tendo destaque o conjunto ‘O Templo de Oxalá’, obras do acervo permanente do MAM-Bahia que serão exibidas integralmente pela primeira vez em São Paulo.

 

Com curadoria de Daniel Rangel, curador do MAM-Bahia, a mostra Ilê Funfum segue depois para Brasília, Salvador e Roma. Chegando em Salvador em outubro deste ano (2022), a exposição reinaugura a Sala Rubem Valentimque detém cerca de 200m² no Parque de Esculturas do MAM-Bahia. Todas as peças da coleção Rubem Valentim do MAM-Bahia foram totalmente restauradas durante os meses de janeiro e fevereiro (2022) nas dependências do museu, no Solar do Unhão, em Salvador, trabalho coordenado e supervisionado pela restauradora do MAM-Bahia, Lúcia Lyrio.

 

FUNFUM e VALENTIM – O título escolhido pelo curador Daniel Rangel faz referência à religiosidade de matriz africana. Ilê significa casa e terreiro, o templo sagrado de culto aos orixás, e Funfum, a cor branca, uma referência àqueles que se vestem de branco, sobretudo da família de Oxalufã, o Oxalá velho, e Oxaguiã, o Oxalá moço. “Em verdade, somos todos filhos de Oxalá, encarregado por Olódùmarè para criar todos os seres vivos do planeta, incluindo plantas, animais, homens e mulheres”, explica Rangel.

 

Rubem Valentim começou sua trajetória nos anos 1940 como pintor autodidata, e participou dos movimentos de correntes modernas da arte baiana, ao lado de Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos, Sante Scaldaferri, entre outros. Desde o começo dos anos 1950, iniciou uma pesquisa relacionada às questões litúrgicas das religiões de matrizes africanas, sobretudo sobre símbolos e ferramentas dos orixás, que se tornaram visualidades obrigatórias em sua produção. Nascido em Salvador, na Bahia, em 1922, o artista completaria 100 anos em novembro deste ano e a celebração começa agora, dia 2 de abril, com a exposição “Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim”, que a Almeida & Dale Galeria de Arte abre em São Paulo.

 

NÚCLEOS e OXALÁ – Pensadaa partir de três núcleos: o “Templo de Oxalá”, que é um conjunto de obras com 20 esculturas e 10 relevos de Rubem Valentim, consideradas o ápice de seu trabalho, doadas ao MAM-BA em 1997, e restauradas pela Almeida & Dale em 2022; “Ateliê”, parte da exposição em que o processo criativo do artista é contemplado, com quadros que estavam sendo feitos quando ele morreu, em 1991,  inacabados, e ferramentas que ele usava; e “Cronologia”, que traz sua história, a partir de recortes, pesquisas, documentos e arquivos pessoais, fotografias e cartazes. “O que é mais importante sobre Rubem Valentim está nesta exposição. Da religiosidade potente aos objetos que circundavam toda sua criação, apresentamos vida e obra deste grande artista”, diz Daniel.

 

O “Templo de Oxalá”, cuja cor branca é predominante, representando o panteão dos orixás saudando Obàtálá, foi apresentado pela primeira vez em 1977, na XIV Bienal Internacional de São Paulo, em uma sala especial dedicada ao artista. À época, Frederico de Moraes disse: “foi a primeira eclosão da espiritualidade dos afro-brasileiros (...) realizado no mais alto nível das conquistas plásticas da arte contemporânea internacional”. Daniel Rangel conta que “essa analogia de uma possível festa para Oxalá, na qual as esculturas são divindades vestidas de branco em louvor ao orixá funfum, é o ponto de partida da narrativa”.

 

Em “Ilê Funfum” está reunido o essencial da trajetória do artista: um potente conjunto artístico-sagrado e referências de seu universo particular, juntando ainda as coleções do Museu de Arte Moderna da Bahia, do Instituto Rubem Valentim, cuja sede está em São Paulo e do Museu de Arte de Brasília; locais que foram suas casas, espaços que foram seus ilês.

 

Daniel Rangel é também curador do MAM-BA, que, em comemoração ao centenário de Rubem Valentim, coloca em circulação o conjunto de obras que é uma referência fundamental para a história da arte brasileira, e ainda para o momento atual de grande visibilidade e necessária inserção de artistas pretos e pretas no circuito. Após sua exibição na galeria, em junho, a mostra seguirá para o Museu Nacional da República em Brasília e depois retornará ao MAM-BA, quando reinaugurará a sala especial de Rubem Valentim no museu. Por fim, integrando a comemoração internacional do centenário, em novembro, haverá uma mostra com a produção do artista em Roma, onde Rubem viveu de 1963 a 1966, no Palazzo Pamphili, endereço da Embaixada Brasileira em Roma.

 

 

“Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim”

Almeida & Dale Galeria de Arte

 

Visitação a partir do dia 2 de abril

2ª a 6ª feira, das 10h às 18h

Sábado, das 11h às 16h

Até dia 14 de maio de 2022

 

Almeida & Dale Galeria de Arte

Rua Caconde, 152 - Jd. Paulista

Tel: 11 3882-7120

https://www.almeidaedale.com.br/

 

Sobre o artista – Rubem Valentim (Salvador BA 1922 - São Paulo SP 1991). Escultor, pintor, gravador, professor. Inicia-se nas artes visuais na década de 1940, como pintor autodidata. Entre 1946 e 1947 participa do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, com Mario Cravo Júnior (1923), Carlos Bastos (1925) e outros artistas. Em 1953 forma-se em jornalismo pela Universidade da Bahia e publica artigos sobre arte. Reside no Rio de Janeiro entre 1957 e 1963, onde se torna professor assistente de Carlos Cavalcanti no curso de história da arte, no Instituto de Belas Artes. Reside em Roma entre 1963 e 1966, com o prêmio viagem ao exterior, obtido no Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM. Em 1966 participa do Festival Mundial de Artes Negras em Dacar, Senegal. Ao retornar ao Brasil, reside em Brasília e leciona pintura no Ateliê Livre do Instituto de Artes da Universidade de Brasília - UnB. Em 1972, faz um mural de mármore para o edifício-sede da Novacap em Brasília, considerado sua primeira obra pública. O crítico de arte Frederico Morais elabora em 1974 o audiovisual A Arte de Rubem Valentim. Em 1979, Valentim realiza escultura de concreto aparente, instalada na Praça da Sé, em São Paulo, definindo-a como o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira e, no mesmo ano e é designado, por uma comissão de críticos, para executar cinco medalhões de ouro, prata e bronze, para os quais recria símbolos afro-brasileiros para a Casa da Moeda do Brasil. Em 1998 o Museu de Arte da Moderna da Bahia - MAM/BA inaugura a Sala Especial Rubem Valentim no Parque de Esculturas.

 

Sobre a Almeida & Dale Galeria de Arte – Fundada em 1998, a Almeida & Dale Galeria de Arte tornou-se, em mais de duas décadas de existência, uma das mais relevantes no Brasil, inserindo o trabalho e o legado de artistas brasileiros em importantes acervos, coleções e arquivos nacionais e internacionais. Entre eles: Willys de Castro, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Mestre Didi, Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Jandira Waters e Roberto Burle Marx. Nos últimos anos, com Antônio Almeida e Carlos Dale como diretores, a programação da galeria revisitou o trabalho de diversos expoentes de nossa arte, promovendo exposições retrospectivas, elaboradas por curadores convidados e produzidas com rigor museológico. Publicações amplamente reconhecidas pelo ineditismo e notoriedade dos ensaios acadêmicos e resgate de textos históricos acompanham as exposições. Recentemente, a Almeida & Dale realizou mostras individuais de artistas fundamentais no panorama histórico e crítico da arte brasileira, como Agnaldo Manuel dos Santos, Miriam Inez da Silva, Luiz Sacilotto e Sidney Amaral, contando com empréstimos de colecionadores e instituições, e estimulando o interesse da crítica no Brasil e no exterior. Junto com a promoção constante de exposições e publicações, a Almeida & Dale apoia projetos de preservação de obras de artistas brasileiros. Exemplo disso, está a representação do espólio de Luiz Sacilotto, destacado artista do movimento da arte concreta brasileira.