
Na proxima sexta-feira (9) às 19h será lançado no canal Intelecto Orgânico, no Youtube, o Doc Clube dos Artistas – Uma história que merece ser contada. O projeto, que é a continuação do documentário que foi lançado em 2021, busca trazer mais informações sobre a história do Clube dos Artistas de Tanquinho, cidade do interior da Bahia, com mais entrevistas e detalhes que não estão registrados em documentos pelo poder público.
O racismo é uma doença e o Brasil ainda carece de muito investimento educacional e social para se livrar desse estigma mundial. Na década de 1950 e 1960 o separatismo racial configurava um grande problema em Tanquinho, onde os pretos tinham dificuldade de andar nas calçadas ou estudar em escolas públicas. Eles eram maioria, mas careciam de representatividade política. No entanto, o que faltava de um lado, sobrava de outro, e a representatividade artística e esportiva sempre sobressaiu.
Conhecida por ser uma cidade festiva, com muita música e muita religiosidade, cresceu ao som dos sambas de roda, das músicas de colheita, dos trios nordestinos, dos toques dos orixás e de filarmônicas. No entanto, esta falta de representatividade e a constante perseguição racial impediam suas manifestações populares.
Nesse contexto quatro negros de grande prestígio local (um comerciante, um marceneiro, um eletricista e um pintor), motivados pela angústia de serem barrados no Clube Trapiá, único Clube da cidade até então, desafiaram a elite e construíram o Clube dos Artistas. Um espaço de música e dança onde os negros eram bem vindos. A construção foi coletiva e envolveu toda a cidade. Fizeram livros de ouro, arrecadaram doações e colocaram a mão na massa, literalmente.
O Clube dos Artistas foi inaugurado em 1958, mesmo ano de emancipação de Tanquinho, que deixava de ser um distrito de Feira de Santana. Nessa primeira gestão resistiram bravamente por quatro anos tendo recebido artistas de renome, a exemplo de Elba Ramalho e Genival Lacerda, que atraia público da própria cidade e adjacências.
Em 1962 ele foi fechado e muitos problemas estruturais forçaram uma reforma. Existia também uma questão política envolvendo esse fechamento, pois o racismo declarado na cidade, impulsionava muitos pedidos para que o Clube fosse fechada pela gestão pública, sob a alegação de que causava desordem e barulho na cidade. No entanto, o Clube Trapiá fazia as mesmas festas, mas tinha a aprovação da elite, que se sentia afrontada pelo fato dos negros terem um espaço de diversão, entretenimento e resistência.
Em 1975 ele volta a funcionar, e consegue resistir por mais 5 anos em pleno funcionamento somente com a ajuda e gestão da própria população, até que um problema no telhado levantou dúvidas sobre a segurança do local e fez com que o poder público interditasse e retirasse o telhado. Até hoje essa história é mal contada, pois muitos afirmam que de fato, existia um problema no telhado, e outros contam que esta foi uma estratégia para o seu fechamento. Somente em 2018 inicia-se novamente um diálogo sobre o assunto impulsionado pelos filhos e netos daqueles que criaram o Clube dos Artistas. Uma série de eventos na câmara de vereadores local fez com que a população retomasse novamente as chaves e uma grande limpeza foi feita.
O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Prêmio Cultura na Palma da mão/PABB) via Lei Aldir Blanc, redirecionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
Prêmio Cultura na Palma da Mão – A convocatória foi elaborada para a execução dos recursos remanescentes da Lei Aldir Blanc, redirecionados pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. É voltado para iniciativas culturais das categorias Difusão Artística; Culturas Periféricas; Culturas Rurais; Memória e Tradições; Cultura LGBTQIA+, que devem utilizar as redes sociais ou plataformas de streaming para realização das propostas.
Serviço
O Doc Clube dos Artistas – Uma história que merece ser contada
Quando: 9 de abril às 19h
Onde: https://www.youtube.com/