Diego Araúja representa a Bahia na Bienal de Veneza 2022

11/04/2022
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Foto: Lucas Rosário

Ontem, dia 10 de abril, o artista visual Diego Araúja embarcou para a Itália, onde participará da Bienal de Veneza, expondo a sua obra Congresso de Sal no pavilhão de Gana. Antes de embarcar, porém, ele esteve na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa), para uma conversa sobre internacionalização das artes visuais baianas. A bienal acontece de 23 de abril a 27 de novembro, e contará com 213 artistas de 58 países, neste que será o line-up com as nacionalidades mais diversas dentre todas as edições.

 

A Bienal de Veneza está em sua 59ª edição e, além do pavilhão principal, que terá curadoria da italiana Cecilia Alemani, conta com mais de 90 pavilhões nacionais, que funcionam como "embaixadas artísticas". É no pavilhão do país africano Gana, com curadoria de Nana Oforiatta Ayim, que o artista baiano irá expor o seu trabalho ao lado de nomes como Na Chainkua Reindorf e Afroscope. Com o tema Black Star—The Museum as Freedom - uma homenagem à estrela negra que aparece no centro da bandeira de Gana, símbolo descrito como "a estrela-guia da liberdade africana" -, a exposição do pavilhão examina novas constelações dessa liberdade através do tempo, tecnologia e fronteiras.

 

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Foto: Lucas Rosário


"Congresso de Sal" (Salt Congress), a instalação sonora de Diego Araúja, parte da ideia ficção-documental da existência de um agrupamento político-cultural, entre os anos de 1949 e 1962, que acreditava que “o maior fator na criação de hegemonias nas relações é a linguagem, e por isso, um projeto não-hegemônico deve nascer de quem sofre o exílio linguístico”. O artista entrelaça ainda o caráter biográfico nesta criação, ao buscar encontrar uma língua crioula esquecida dentro do seio de sua família materna, o trocar-língua.

 

A instalação é uma sala de arquivos sonoros de 32m², composta por alto falantes em suas paredes, onde se ouve as representações desse Congresso de Sal, as suas sessões, depoimentos e narrações sobre os seus fundadores. Mesmo as vozes em volume médio, ou até mesmo baixo, provocam uma vibração espacial, materializando a radicalidade das ideias desse agrupamento político-cultural fundado por intelectuais afro-diaspóricos e africanos, que buscam criar uma língua não-nascida do trauma.

Sobre o artista - Natural de Salvador-BA, Diego Araúja tem 10 anos de carreira artística. Embora seja bacharel em artes cênicas pela Escola de Teatro da UFBA, suas mídias são literárias, visuais, cênicas, performáticas e audiovisuais, nas funções de diretor, cenógrafo, artista visual, dramaturgo, roteirista e escritor. Desde 2015, ele dirige o processo Tempo Crioulo, que considera a linguagem como fator primeiro do trauma experimentado pelos povos afro-diaspóricos e seus descendentes. Para o artista, é necessária a invenção de novas linguagens, línguas e léxicos que superem o trauma. As obras nascidas deste processo poético e transdisciplinar são chamadas por Araúja de crioulagem (creollage), sendo a primeira delas QUASEILHAS (2018-2020), obra vencedora de um dos maiores prêmios de artes cênico-performáticas negras e contemporâneas do Brasil, o 5º Prêmio Leda Maria Martins.

Em 2020, Diego Araúja foi convidado para as residências artísticas Atlantic Center For The Arts (Flórida-EUA) e SAVVY Contemporary (Berlin-GER), e no mesmo ano, participou do ¡ADELANTE! - Iberoamerikanisches Theaterfestival (Heidelberg-GER) com seu trabalho QUASEILHAS.