22/04/2022

Aline Lucena - Foto: Heitor Rocha
A revolução das mulheres passa por seus corpos e quem esteve na segunda edição do A Quarta É Nossa, neste 20 de abril, no Centro de Cultura de Alagoinhas, compreendeu a complexidade das lutas femininas a partir da dança e do pensamento de três jovens dançarinas alagoinhenses. Aline Lucena, Reijane Santos (Ballet Carolina Villa Nova) e Bruna Meyer apresentaram em um Foyer lotado a liberdade que as mulheres clamam para os seus corpos e vidas, começando pela disciplina e delicadeza do balé clássico, passando pela elevação e conexão do Tarab que está muito além da sensualidade, até chegar à provocação da dança contemporânea que faz a dançarina cambalear no palco ao som da canção Pretty Woman.

Bruna Meyer - Foto: Heitor Rocha
A pressão e o sofrimento das mulheres para se encaixarem em padrões sociais, e a vontade de terem seus corpos livres e respeitados estavam na dança e nas falas emocionadas das artistas e do público após as primeiras apresentações da noite. Reijane Santos relembrou Isadora Duncan e outras coreógrafas da história da dança mundial para afirmar que "a nossa revolução passa pelos nossos corpos", e que estes são, ao mesmo tempo, o instrumento e a finalidade da luta das mulheres. No mesmo caminho, Bruna Meyer alertou que a fetichização da dança árabe é uma tentativa de esvaziar o verdadeiro sentido do Tarab, estilo que exige da bailarina muita interpretação e envolvimento com a música.
Muito emocionada, Aline Lucena, comoveu o público ao falar dessa mulher contemporânea tão cansada e machucada, e que ainda precisa lutar por direitos básicos. A atriz Anny Rastelli também participou da apresentação de Aline declamando poema-slam da artista Gabz, vencedora do Slam Grito 2017, estilo de literatura afrofeminina que vem conquistando destaque.
Música - E as mulheres continuaram em foco quando o cantor e compositor Tauã Visceral ganhou o palco e começou o seu show cantando "Dinha Poderosa”, uma homenagem à sua mãe Edna Rezende, chefe do restaurante La Taberna. Acompanhado pelo baixista Luska, e com programação musical feita por Felipe Santiago, Tauã fez o público dançar com o show de seu recém-lançado EP "Afro Futurista", marcado pela pluralidade musical de canções que passam pelo samba, pagode, ijexá, lambada e até arrocha, tudo isso misturado a elementos de música eletrônica e sua voz marcante.
A segunda atração musical da noite foi a banda de rap Sangue Real, uma das poucas do segmento na Bahia que traz uma mulher entre os vocalistas. Com 15 anos de estrada, Denny, Adriel e Mamah, acabaram de retornar de São Paulo, onde fizeram shows de lançamento do álbum "Respaldo", o terceiro trabalho do grupo. O show no Centro de Cultura abraçou o público e mostrou o poder aglutinador do rap. Foi o trio começar a cantar, e as pessoas foram se aproximando, prestando atenção às rimas e logo já estavam cantando os refrões do rap da Sangue Real.
Fotografia - E esta programação diversa, mas ao mesmo tempo pensada e costurada para dar sentido e narrativa ao evento, também teve um bate-papo entre fotógrafos encabeçado por Nildes Oliveira, fotógrafa dedicada a fotobiografias com mulheres. Ao lado dela estavam os fotógrafos Amilton André Gomes e Heitor Rocha, além do artista visual Pinho Blures. Enquanto suas fotos eram exibidas em uma tela para o público, eles falavam do desafio de fotografar mulheres reais, e do processo libertador e de autodescoberta que o nu artístico é capaz de realizar. Ao rechaçar o termo modelo fotográfico, Nildes enfatizou que fotobiografias contam histórias e ressignificam existências.
Ocupação artística - Mediador do bate-papo, o artista Pinho Blures também lançou a sua ocupação permanente no A Quarta é Nossa. Em todas as edições do projeto, ele irá expor e compartilhar com o público estágios de seu atual processo de criação. O artista explicou que está revisitando a sua produção artística, para tomar consciência de sua caminhada até aqui, e a partir daí compreender quais narrativas pretende seguir construindo e fortalecendo em sua atuação nas artes visuais.
Espaços Culturais da SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), e localizados em diversos Territórios de Identidade. Destes, cinco encontram-se em Salvador - Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro de Cultura de Plataforma e Espaço Cultural Alagados - e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista.