
Foto: Robson Olivey
O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC-BA), órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), participa até sábado (14), do Bembé do Mercado de Santo Amaro da Purificação, uma das maiores manifestações culturais da Bahia. O evento cultural e religioso acontece desde 1889, na região do Recôncavo Baiano, para celebrar o 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura.
Dentro da programação que celebra os 133 anos do Bembé do Mercado, o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Sílvio Portugal, esteve nesta sexta-feira (13), às 13h, na 4ª Reunião Extraordinária da Câmara de Patrimônio e em outras celebrações. “O Bembé do Mercado é um patrimônio imaterial do estado da Bahia e Nacional, e a presença do CEC é importante na medida da renovação dessa relação de novas parcerias e cooperação técnica”.
Sílvio Portugal demonstrou satisfação em homenagear o maior Candomblé de Rua do Mundo. “O Conselho Estadual de Cultura da Bahia, juntamente com seus conselheiros, conselheiras, funcionários e colaboradores, parabeniza o Bembé do Mercado por toda a sua história, sua resistência e saber cultural, que nos ensina o poder da perseverança, da paz e da liberdade”.
Já o presidente da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural (CPHAAN), Táta Ricardo, destacou a importância do órgão participar da festividade. “É de extrema relevância a participação da Câmara de Patrimônio do Conselho Estadual de Cultura, porque o Bembé do Mercado é patrimônio imaterial do estado da Bahia e, estar presente, é fortalecer a salvaguarda das manifestações e toda a resistência que, historicamente, essa manifestação nos remete. Ela leva ao mundo a resistência do povo negro, do povo de terreiro, do povo de candomblé”.
Para o representante da Câmara de Patrimônio, participar deste momento é ter certeza que a história, a memória, a trajetória e a ancestralidade afro-brasileira se mantêm de pé, resistindo e lutando nos dias atuais contra todas as adversidades. A luta, ressalta, é contra o racismo institucional, contra a intolerância religiosa, contra o ódio que permeia a sociedade, que ainda divide por religião, por raça, por opção sexual.
“Celebrar 133 anos do Bembé do Mercado de Santo Amaro é celebrar a ancestralidade que não se perdeu, os saberes, os falares, os ritos, os ritmos, os toques, as danças, as indumentárias, as vestimentas, a culinária. São inúmeras as contribuições que o Bembé do Mercado de Santo Amaro mantém de pé e, dentre elas, a identidade de um povo que contribuiu para a formação e para a construção desse país. Povo que sonha, luta e acredita em dias melhores. Vida longa ao Bembé do Mercado de Santo Amaro, o maior candomblé de rua do mundo”, destaca Táta Ricardo.
Para o presidente da CPHAAN, quando a Câmara de Patrimônio participa institucionalmente, “ela só valida o que tem validade, só reforça o que tem força, só fortalece o que já é forte e diz o quanto nós somos gratos a João de Obá, o criador, idealizador do Bembé do Mercado, e a todas as mães de santos, pais de santos, filhos de santos, filhas de santos, e a todo o povo que resiste e mantém salvaguardada essa cultura de paz e de liberdade. O Bembé do Mercado de Santo Amaro ecoa como a voz da ancestralidade que nunca morreu ou sequer sucumbiu diante do racismo e da intolerância religiosa. Ele merece todo o respeito e toda honra, porque ele é um patrimônio imaterial do estado da Bahia”, conclui.
Bembé do Mercado - Em 13 de Junho de 2019, o Bembé do Mercado de Santo Amaro, passou a ser inscrito no Livro de Registro de Celebrações, estando nele inseridas as dimensões religiosas, políticas, culturais e sociais, que são extremamente importantes para os povos de santo, principalmente para a comunidade santoamarense.
A festa se iniciou por meio do Babalorixá João de Obá, em comemoração ao primeiro ano da Abolição da Escravatura, mesmo sabendo que as condições dos negros recém libertos seriam marcadas por uma exclusão econômica e social, além de uma alienação política e cultural. Em 1989, pescadores e os povos de Santo, juntamente com João de Obá, celebraram a data realizando o Candomblé de Rua, que durou três dias.
Inscrito sob o Decreto Estadual nº 14.129/2012, o Bembé do Mercado consegue congregar e reunir diversas expressões culturais tradicionais do Recôncavo Baiano, se configurando como um importante documento histórico da trajetória do povo negro, ressaltando a sua resistência à escravidão, com um sentido próprio de poder e liberdade. O Bembé agrega todos esses elementos culturais e políticos, e segue como e construtor da identidade social da comunidade, que é detentora desse bem cultural imaterial, demonstrando assim a sua relevância nacional como Patrimônio Cultural do Brasil.
Todo esse processo dos festejos se dá de quarta, quinta e sábado, visto que na sexta não se pode acontecer Xirê, por ser o dia do Orixá Oxalá, e no domingo acontece a entrega do presente à Mãe D’água. As homenagens se iniciam com uma homenagem a Xangô, como um rito à ancestralidade de João de Obá, que dentro do rito, na madrugada de quarta-feira, se ergue a cumeeira, toda ornamentada, tendo como dono o orixá Xangô, sendo posto no alto uma escultura masculina, que é toda esculpida em madeira, representando o mesmo, e como símbolo carrega dois machados, acompanhado de quartinhas, com fundamentos do candomblé. A celebração conta com o apoio da Prefeitura Municipal, do Iphan e do Governo do Estado da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), uma vez que o Bembé do Mercado tem registro para salvaguarda do patrimônio nas três instâncias.
Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) - Composto por 60 conselheiros (30 titulares e 30 suplentes), o Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia (CEC-BA) é um órgão colegiado da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), de caráter normativo e consultivo, ligado diretamente ao Gabinete da Secretaria, que tem por finalidade contribuir para a formulação da política estadual de cultura. Os Conselheiros de Cultura da Bahia são representantes da sociedade civil reconhecidos por suas expressivas contribuições à cultura baiana. A composição do Conselho Estadual de Cultura (CEC) respeita a Lei Orgânica de Cultura, sendo composta por 2/3 de seus membros oriundos da sociedade civil e 1/3 do poder público. Os conselheiros não possuem vínculo empregatício com o Governo do Estado.
Em sua trajetória, o CEC vem contribuindo para a formulação de políticas Estaduais de Cultura no Estado da Bahia, possuindo em sua composição conselheiros das mais diversas áreas da Cultura que, por meio de suas representações territoriais, de identidades culturais e segmentos, vêm promovendo o fomento, a difusão e a fruição da Cultura nesse Estado. Neste processo, o Conselho fez parte da construção e valorização de muitas histórias materiais e imateriais deste Estado, salvaguardando a memória e o saber deste povo.