
A Bahia poderá sair na frente como o primeiro estado a obter o Registro de Patrimonizalização das Matrizes Tradicionais do Forró. A iniciativa, que surge perto do período de festejos juninos, é da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural (CPHAAN), do Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC-BA), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), tendo como proponente o Fórum Forró de Raiz da Bahia. A abertura do processo para obtenção do Registro Estadual foi assunto de uma reunião entre a Câmara e o Fórum nesta quarta-feira (25), às 11h, na sede do CEC, no bairro do Canela, em Salvador.
O conselheiro e presidente da CPHAAN, do Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC-BA), Táta Ricardo Tavares, destacou que o encontro foi importante porque primeiro ouviu o Fórum Forró de Raiz da Bahia, representado por sua coordenadora geral, Alessandra Gramacho, e pela coordenadora de Produção Cultural, Lara Oliveira. “É de extrema importância essa reunião porque elas representam os interesses da categoria. Elas representam o Fórum que vem discutindo, pautando, requerendo políticas públicas para esse segmento, para quem produz essa cultura, para quem produz essa arte, para quem produz forró”.
Segundo Táta Ricardo Tavares, a Câmara de Patrimônio teve a iniciativa de abrir o processo de patrimonialização junto ao IPAC, mas não podia fazer isso sem conversar com quem, de fato, representa o segmento. “A reunião de hoje teve como ponto principal tratar sobre a Sessão Extraordinária, que terá como pauta a salvaguarda e o Registro Estadual do Forró em suas matrizes tradicionais. Foi um encontro muito produtivo. Lara trouxe uma foto dela com 10 anos, já dançando forró com a mãe, que é uma Mestra do Forró. Isso é pertencimento, é identidade, e a gente não pode jamais passar na frente de quem vem fazendo isso”, disse.
Tavares ressaltou ainda que a Câmara de Patrimônio, por ser uma instância institucional que representa a salvaguarda, a manutenção e a produção do Patrimônio Cultural, entende, reconhece e respeita a representação da sociedade civil e da categoria artística. “O dia de hoje é um dia marcado pela construção transversal, democrática, onde a gente traz quem produz para protagonizar esse momento. É relevante para a Bahia salvaguardar uma manifestação que é a identidade do Nordeste, é a identidade do nosso povo, para que, de fato, possamos garantir com que essa cultura chegue aos que estão por vir. É fundamental que as novas gerações conheçam a nossa história, porque identidade é memória, e memória é história, e história é o que faz a gente chegar a todos os lugares. A Câmara de Patrimônio está aqui para promover a salvaguarda deste momento”.
A Coordenadora do Fórum Forró de Raiz da Bahia, Alessandra Gramacho, disse que a intenção da reunião foi traçar planos para a salvaguarda do forró e se apresentar para a presidência do CEC, tratando da solicitação do registro das matrizes tradicionais do forró na Bahia, endossando o registro nacional. “A Bahia sai na frente porque no Brasil poucos estados tiveram essa iniciativa, devido à burocracia e falta de recursos. Essa também é uma luta de todos os fóruns. Somos 14 estados e mais o Distrito Federal, distribuídos no Brasil, reunidos em fórum debatendo e fortalecendo a Cultura Popular, mapeando artistas, fazedores de forró, fazedores da cultura tradicional nordestina, do forró e da literatura de cordel”.
Para a coordenadora de Produção Cultural do Fórum, Lara Oliveira, a iniciativa é necessária porque reconhece os fazedores de cultura na sua essência, que são exatamente os nossos Mestres e tudo que é tradicional e que estamos perdendo. “Essa reunião é imprescindível para que essa tradição não se perca, para que o nosso povo tenha esse registro como referência de quem somos e para onde vamos”.
Estiveram também presentes ao encontro as secretárias da Câmara de Patrimônio, Fabiana Purificação e Isamar Oliveira.
A Sessão Extraordinária da Câmara de Patrimônio para a Notificação e Abertura do processo de Registro Estadual de Patrimonizalização das Matrizes Tradicionais do Forró está prevista para acontecer no dia 17 de junho, às 14h, no Cine Teatro do município de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, com a participação de autoridades, dos forrozeiros e forrozeiras, e de vários representantes do CEC e da Cultura Popular Nordestina.
Reconhecimento - As matrizes tradicionais do forró foram reconhecidas no dia 09 de dezembro de 2021 como patrimônio imaterial da cultura brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A autarquia passou a considerar o forró também como supergênero musical, devido à fusão de ritmos, como o baião, o xote, o xaxado, entre outros.
A Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural (CPHAAN) - É regida pela lei 8.895/03 é um dos principais instrumentos de trabalho do Conselho Estadual de Cultura (CEC), tendo como principal missão analisar e emitir parecer sobre pedidos de registros (patrimônios intangíveis) e tombamentos (bens materiais) encaminhados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). As sessões da câmara acontecem sempre um dia antes das sessões plenárias do Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC-BA), presidido por Silvio Portugal.