19/02/2023

Foto:Moskow
“Uma forma de expressar nossa estética de forma diferente, moderna e apontando para o futuro”, explica o figurinista e rei do bloco, Siry Brasil. Há mais de 20 anos ele produz figurinos para o Muzenza e, junto com a rainha Claudia Matos e a Muzembela Barbara Sá, representa o bloco com muita dança, gingado e beleza.
O bloco Muzenza, fundado em 1981 para homenagear Bob Marley, logo após a morte do rei do reggae, é o pioneiro na divulgação do ritmo jamaicano na folia. O lamento pela perda do artista inspirou os versos: “O negro segura a cabeça com a mão e chora, e chora, sentindo a falta do rei”, da canção Brilho de Beleza, gravada por grandes estrelas da música, inclusive a cantora Gal Costa.
Foi por amor ao reggae e pelo ídolo Bob Marley que Nélia Maria Bispo Santos, 68 anos, moradora da Baixa de Quintas, participou de todos os desfiles do bloco Muzenza, desde a fundação da entidade no bairro da Liberdade. “Muzenza é afro, é negro, é cultura. E o reggae é isso, é amor, é consciência”, pontua a animada foliã, enquanto estica uma bandeira com a foto de Marley.
Ostentando seus longos dreadlocks, Nélia integra a ala dos rastafáris, um dos destaques do desfile do Muzenza, vínculo direto com a cultura reggae. “O bloco ajudou muito a divulgar a música reggae e a diminuir o preconceito, que ainda existe. Somos muito discriminados”, reclama Nélia.

Os cantores se revezaram ao microfone para cantar sucessos populares do bloco como a música A Terra Tremeu, gravada por Simone Moreno e Swing da Cor, que lançou Daniela Mercury ao estrelato. A batida do Muzenza evidencia as células rítmicas do samba-reggae criado em Salvador e responsável por uma verdadeira revolução no Carnaval.
Em janeiro, a cantora Iza se apresentou no Festival Universo Spanta, no Rio de Janeiro, prestando uma homenagem ao Muzenza do Reggae e seus mais de 40 anos de história. Durante o show, Iza vestiu um figurino inspirado nas culturas africanas e jamaicanas, com destaque para as cores tradicionais do Muzenza.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.