20/02/2023
Fotos: Lucas Rosário
Encantando inúmeros foliões e folionas que vieram curtir o Carnaval no Circuito Batatinha (Pelourinho), os afoxés e blocos afros trouxeram uma aula de história e ancestralidade negra com seus desfiles temáticos. Como o Afoxé Omo Izô, que trouxe o tema Ogum, orixá da guerra, agricultura e tecnologia. Na mitologia yorubá, é o senhor do ferro. Os integrantes do bloco trouxeram essa representação através de elementos, como espadas.
Elza Sousa, que faz parte da diretoria do bloco, fala sobre o contexto do desfile. “Ogum foi o primeiro imolé e trouxe todas as suas ferramentas e tecnologia ancestral, que com o tempo, foi nos passado. Diante de um momento de tanto avanço tecnológico, tanto avanço digital, então por que não trazer um tema de um orixá tão grandioso e sábio para o Carnaval?”, questionou risonha. O terreiro que o Afoxé Omo Izô é oriundo tem mais de 30 anos, em Jauá, Camaçari e traz no bloco temas associados a história e ancestralidade das religiões de matriz africana.
Outros Blocos - Quem também trouxe Ogum foi o bloco Tempero de Negro, que desfilou com o tema “Ogum Senhor da Guerra e da Metalúrgica”, dentro do Circuito Batatinha, no Centro Histórico de Salvador (CHS).
O Bloco Ginga de Negro por sua vez, abordou a diversidade dos países africanos com o tema “Panos afros”. No abre alas, o bloco trouxe a diversidade dos tecidos africanos. Uma das diretoras do bloco, falou que cada tecido traz uma história, uma vivência africana e durante o desfile, essa diversidade esteve representada nas alas. O bloco nasceu no bairro do Barbalho e tem 18 anos de atuação.
Bloco Filhos de Jah | Foto: Locas Rosário
Quem também pautou um país africano foi o Afro Filhos de Jhá. Diretamente do bairro de Campinas de Pirajá, o bloco trouxe o tema “República de Moçambique”, país da África Oriental, que foi representado através das cores e nas alas, durante o desfile.
Todos esses blocos neste ano estão realizando seus desfiles com apoio do Governo do Estado, a partir do Programa Carnaval Ouro Negro 2023, que destinou R$ 7,6 milhões ao edital, com o intuito de preservar a tradição de 63 blocos na folia soteropolitana.
Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. O Carnaval da Cultura é promovido pelo Governo do Estado, Carnaval 2023 – “Um Carnaval em Cada Esquina”.