#ConfecultBa - Economia Criativa, Trabalho, Renda e Sustentabilidade são pauta em um dos seis eixos temáticos da VI Conferência Estadual da Cultura

07/12/2023



Professora Daniele Canedo foi convidada para dialogar com delegados e delegadas sobre os desafios do fortalecimento das cadeias produtivas na cultura


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Ressaltar a importância da cultura para o desenvolvimento socioeconômico do país foi o objetivo do eixo temático Economia Criativa, Trabalho, Renda e Sustentabilidade desenvolvido na tarde desta quinta, 7, durante a VI Conferência Estadual da Cultura, no Colégio Estadual de Tempo Integral de Feira de Santana. Delegados e delegadas debateram formas para que as políticas fortaleçam as cadeias produtivas e as expressões artísticas e culturais, estimulem a dignidade e a solidariedade nas relações trabalhistas, potencializem a geração de trabalho, emprego e renda, ampliem a participação dos setores culturais e criativos no PIB do país, e garantam a sustentabilidade econômica de grupos e agentes culturais.


A professora do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e professora colaboradora do Núcleo de Pós-Graduação em Administração (NPGA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Daniele Canedo abriu a discussão falando sobre a importância da garantia do direito à produção e à criatividade. 


“Todos os povos lutam para ter acesso ao patrimônio cultural comum da humanidade, o qual se enriquece permanentemente. Resta saber quais serão os povos que continuarão a contribuir para esse enriquecimento e quais aqueles que serão relegados ao papel de simples consumidores de bens culturais adquiridos no mercado. Ter ou não ter direito à criatividade, eis a questão”, iniciou Canedo citando Celso Furtado.

Para a professora, a garantia desse direito passa por uma visão interconectada e interdependente das três dimensões da cultura: a dimensão simbólica, a dimensão cidadã e a dimensão econômica. “Precisamos fugir da visão limitante de olhar apenas para os ganhos financeiros dos fazeres culturais. Entender que quanto mais público houver, mais dinheiro vai haver. Isso é um limitador do conceito de economia criativa. Precisamos envolver questões econômicas, mas também outros valores e dimensões do fazer cultural”, disse.

Segundo Canedo, olhar para as dimensões culturais de maneira independente traz prejuízos a toda a cadeia produtiva do setor. “Um exemplo dessa visão desconectada é a capoeira na cidade de Salvador, que é vendida como simbólico para turistas, mas é vetada nas escolas e não se desenvolve como um bem cultural e não exerce o seu papel cidadão de formação”, explica.

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Para fomentar a discussão de propostas relacionadas ao eixo pelos delegados e delegadas, Canedo falou sobre como a economia criativa é diversa: “ela abarca diferentes formas de atuação econômica que não necessariamente estão inseridas em um modelo capitalista de produção, visando o lucro”, finalizou. Após a sua fala, os participantes do eixo discutiram propostas sobre o tema para levar para a Conferência Nacional em março do ano que vem e para a atualização do Plano Estadual de Cultura.

Soraya Sousa Silva, delegada do município de Santa Cruz da Vitória, do território de identidade Médio Sudoeste, participou das discussões de elaboração das propostas e se disse satisfeita com as proposições feitas pelo grupo. “Desde a conferência municipal, economia criativa é um tema que eu estou envolvida. Vir para o encontro estadual foi ótimo porque deu para perceber que as demandas da maioria das cidades são muito parecidas, o que ajudou na elaboração de uma proposta com um objetivo comum para ser levada para a conferência nacional. Precisamos alavancar as ações de capacitação para fazedores e fazedoras de cultura, e nossa proposta está em linha com isso”, disse.