Toque do agogô une gerações no afoxé Filhos de Gandhy

04/03/2025
O toque do agogô une gerações no afoxé Filhos de Gandhy

No afoxé Filhos de Gandhy, a tradição é viva e passada de geração para geração. Crianças vestiam o manto branco e azul, acompanhadas de seus pais, dançando Ijexá, em um ambiente de respeito e celebração aos orixás Oxalá e Ogum. O tapete branco da paz levou o aroma da alfazema do Pelourinho — na sede do bloco — até o Campo Grande, ao som do toque do agogô.

Com o apoio do programa Ouro Negro, iniciativa do governo do estado por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), o afoxé, que completa 76 anos, exalou paz pelas ruas do circuito Osmar.
 

O toque do agogô une gerações no afoxé Filhos de Gandhy

Matheus Silva, de 24 anos, que curte o bloco há sete anos, apresentou o Filhos de Gandhy ao seu filho, Lorenzo Silva, de 4 anos. “O sentimento é de sonho realizado, ter meu filho aqui comigo, curtindo com os Filhos de Gandhy”, contou, emocionado. A paixão do pequeno Lorenzo, que dançava durante todo o trajeto, começou antes mesmo de ir às ruas com o afoxé. “Ele gosta muito. Eu colocava as músicas em casa, e ele dançava”, concluiu o associado, enquanto o trio do afoxé desfilava pela passarela Nelson Maleiro, no terceiro dia de desfile do bloco e último dia de carnaval.

 

O toque do agogô une gerações no afoxé Filhos de Gandhy

“É tradição de pai para filho”, afirmou Magno Félix, de 34 anos, que também levou seu filho, Adson Félix, de 6 anos. “É muita emoção. Eu comecei ainda na banda do projeto Erê, fui crescendo, vendo os desfiles. Um dia, decidi sair como folião e nunca mais deixei de vir”, acrescentou. “Que todos os pais também tragam seus filhos”, finalizou.

Tapete branco

O bloco foi fundado em 1949, por iniciativa de estivadores do cais do porto da capital baiana, e homenageia a história do líder espiritual e ativista indiano Mahatma Gandhi. É o símbolo da paz no Carnaval de Salvador. A vestimenta é uma característica marcante: lençol, turbante e colares.

Assim, foliões da pipoca veem o cortejo passar. Este ano, o tema “Ogum, senhor do ferro, dos metais e da tecnologia” homenageia o orixá que simboliza força, resistência e inovação, com arte assinada por J. Cunha. Junior Pakapym, responsável pelo figurino do ano passado, que celebrou os 75 anos do afoxé, falou sobre a emoção e a responsabilidade desse compromisso.

O toque do agogô une gerações no afoxé Filhos de Gandhy

“Sem Gandhy, não tem carnaval. Até pode acontecer, mas não tem o mesmo axé. O sentimento é de paz, de compreender que você vai vestir mais de 4 mil pessoas e fazê-las gostar. Criar para o Gandhy é criar para a paz, para Oxalá, para o Carnaval de Salvador.”

 

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Ouro Negro
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