A passagem de entidades culturais de matrizes africanas embelezou as ruas de Feira de Santana nesta sexta-feira (2), com concentração no cruzamento das avenidas Maria Quitéria e Presidente Dutra. O Afoxé Filhos de Oxalá foi uma delas. Em um desfile festivo, que vestiu de paz o circuito Manéca Ferreira, os integrantes dançaram e cantaram pela reafirmação da identidade, da cultura e da religiosidade africana.
Com o tema “Senhora dos Ventos”, parte dos atuais 250 membros do Afoxé Filhos de Oxalá — fundado há 23 anos — entrou alegremente na avenida, contando a história de resistência e luta do povo negro em defesa de diversas pautas, como reparação e igualdade social, ações afirmativas, valorização e preservação da cultura africana, além do combate à violência, à intolerância religiosa e ao racismo.
O grupo organizou o desfile em três alas de dança, cada uma com dois destaques. À frente da primeira ala estavam Roberto Barbosa, fazendo referência ao orixá Oxalá, e Adjanali Moreira, representando Iansã, poderosa orixá associada aos ventos, tempestades e raios.
O ritmo das músicas ficou por conta dos instrumentos de percussão, como atabaque, timbau e agogô. As indumentárias nas cores azul, branco e amarelo abrilhantaram ainda mais o cortejo do grupo feirense.
Roberto Barbosa, adepto do candomblé, falou emocionado sobre a participação de diversas gerações de sua família no Afoxé. “Estou muito feliz em ser o destaque deste ano. Fazer parte do grupo é contar a história do povo de matriz africana. Tenho irmãos, avó e sobrinhos participando das atividades dessa importante manifestação cultural e religiosa de Feira de Santana”, contou. Diariamente, ele sai da cidade de Santa Bárbara, a 43 quilômetros de Feira, para integrar as atividades do Afoxé Filhos de Oxalá, do qual faz parte desde 2014.
Destaque pela primeira vez no Afoxé Filhos de Oxalá, Adjanali Moreira atribui ao grupo parte da conquista do título de Miss Afro Feira de Santana, este ano. Na ocasião, Moreira foi vencedora na categoria Segunda Beldade. “São poucos os espaços na cidade que oferecem dança afro. As atividades do Afoxé, de certa forma, foram uma preparação para o concurso”, analisou.
A coordenadora de projetos do bloco, Flávia Ribeiro, atribui o fortalecimento das ações da agremiação ao Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado, realizada pelas Secretarias de Cultura (SecultBA) e de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). O programa promove o fortalecimento de entidades culturais de matrizes africanas, como blocos afros, afoxés, blocos de samba, reggae e indígenas. “Com esse recurso, por exemplo, conseguimos colocar na rua um bloco com vestimentas mais bem elaboradas”, explicou Flávia.
PROGRAMA OURO NEGRO — O Programa Ouro Negro 2025 consolida o compromisso do Governo do Estado da Bahia com a valorização das expressões afro-brasileiras. Mais do que apoio financeiro, o Ouro Negro reconhece e estimula o protagonismo dessas organizações, que mantêm viva a ancestralidade africana, promovendo arte, educação e inclusão social em suas comunidades de origem.
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