A Cozinha Show: Sabores e Saberes da Agricultura Familiar segue trazendo para a 9ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária conceituadoschefsde cozinha e receitas originais de identidade regional. Nesta terça-feira (27), ochefÍcaro Rosa, do município de Itacaré, no Litoral Sul, apresentou um prato de sabor único, o tempurá de ostras, do quilombo Kaonge, com caldo de moqueca. A comunidade quilombola é de Cachoeira, no Recôncavo Baiano.
A Cozinha Show é um projeto da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), em parceria com a Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), e funcionará até 02 de dezembro, no Parque de Exposições de Salvador, em paralelo à 31ª Fenagro.
“É muito importante estar aqui hoje nesta feira, que fomenta uma rede muito especial e solidária da agricultura familiar. Hoje representei um dos territórios baianos e por eu ser negro escolhi falar um pouco do quilombo, da minha ancestralidade”, destacou Ícaro Rosa.
De acordo com Helca Lícia Alves, da Cepex/SDR, a Cozinha Show promove a interação entre a gastronomia e a origem dos alimentos: “Nós estamos trazendo um público formado por estudantes de faculdades particulares e públicas de Salvador, dos cursos de Gastronomia e Nutrição e Tecnologia de Alimentos, além de povos indígenas, comunidades tradicionais e comunidades quilombolas, para falar da relação dessas comunidades com o alimento, sua origem e cultura. Não é simplesmente comer um acarajé, por exemplo, existe toda uma história cultural por trás do alimento e o nosso objetivo é preservar e perpetuar essa identidade”.
Mais Cozinha Show – Pela manhã, a Cozinha Show lançou a Cartilha de Ecogastronomia, produzida por meio da parceria entre o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), o Semear Internacional e o Slow Food Brasil. Segundo Revecca Tapie, facilitadora do Slow Food na região Nordeste, o desenvolvimento da cartilha envolveu 20 jovens rurais do semiárido do Nordeste, oriundos de cinco estados beneficiários dos projetos apoiados pelo Fida nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe.
“Por meio de um intercâmbio, esses jovens conheceram a biodiversidade local, comunidades e a cultura alimentar, resgatando todos esses ingredientes locais. A partir daí foram para a cozinha do Senac, em Aracaju, capital de Sergipe, para fazer receitas com esses produtos. O objetivo foi justamente conhecer a diversidade local, dar empoderamento aos jovens a respeito de plantas, frutas, cactáceas e alternativas de alimentação face às ameaças da seca, e também sensibilizar sobre um alimento saudável, sem desperdício, valorizando as raízes locais”, disse Tapie.