Debater a viabilidade de inserção da energia solar em empreendimentos apoiados pelo Governo do Estado, por meio de projetos como o Bahia Produtiva e Pró-Semiárido, executados pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), foi um dos objetivos do encontro, realizado nesta segunda-feira (14), na sede da SDR, no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.
A reunião contou com a presença do titular da SDR, Jerônimo Rodrigues, do professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e membro do Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM), Osvaldo Soliano, da presidente da Cooperativa Ser do Sertão, Valdirene Oliveira, e do coordenador executivo de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex/SDR), José Tosato.
De acordo com Rodrigues o encontro integra as ações do Governo do Estado voltadas para a sustentabilidade, econômica e ambiental, de empreendimentos atendidos por projetos governamentais: “A sustentabilidade desses grupos depende de fatores como o acesso ao mercado e a garantia de produtos de qualidade, com redução de custos na produção. Por isso, estamos buscando alternativas que possuam viabilidade econômica e ambiental”.
O custo de energia pode alcançar até 40% do faturamento de uma agroindústria, a exemplo de laticínios e unidades de processamento de frutas, que dependem de uma câmara de resfriamento.
“A ideia é fazer a conscientização dos agricultores familiares, de que a energia solar pode ser uma oportunidade de negócios e de aumento de renda, com viabilidade técnica e econômica ao mesmo tempo”, destacou o professor Osvaldo Soliano, que trabalha no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA, com projetos voltados para a produção de energia elétrica, a partir energias renováveis, e com a conscientização da viabilidade da energia solar em diversos tipos de empreendimentos.
Durante o encontro, foi apresentado o Atlas da Energia Solar na Bahia, elaborado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti), que apresenta, entre outros temas, as áreas de maior incidência solar no estado, além de outros projetos desenvolvidos por universidades e pelo Parque Tecnológico.
A presidente Cooperativa Ser do Sertão, Valdirene Oliveira, salientou que um projeto, como o de energia solar, é fundamental para o funcionamento da agroindústria da cooperativa, devido ao custo alto com energia, que chega a R$ 3,6 mil por mês, contribuindo para a redução de custos, além de haver a possibilidade de vender a energia excedente: “As agroindústrias, que estão localizadas em municípios com alta incidência de luz solar, como é o caso de Pintadas, têm interesse em projetos como esse, para reduzir os custos nas unidades de beneficiamento”.
Para o coordenador da Cepex, José Tosato, o custo com a energia é um dos fatores que encarecem o valor final de produtos da agricultura familiar: “Estudar outras alternativas, como a da energia solar, para que sejam implantadas nas agroindústrias, pode reduzir os custos e, consequentemente, baixar os preços desses produtos, deixando-os mais competitivos. Além disso existem os aspectos socioambientais, pois se trata de uma energia limpa, que temos em abundância aqui na Bahia, e isso nos encoraja a levar essas tecnologias especialmente para as organizações econômicas da agricultura familiar”.
Encaminhamentos - Está prevista, para os próximos dias, a realização de uma reunião com outros membros da equipe da SDR e da UFBA, para a apresentação de demandas da SDR e propostas de implantação de sistemas de energia solar nos empreendimentos da agricultura familiar.
Encontro em Salvador debate produção da agricultura familiar com uso de energias limpas
16/01/2019