Representantes do Governo de Moçambique e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), conheceram, nesta quarta-feira (13), projetos selecionados nos editais do Bahia Produtiva, nos municípios de Banzaê e Tucano.
No município de Banzaê, localizado no Território de Identidade Semiárido Nordeste II, a comitiva conheceu a experiência de implantação de aviários para a criação de galinhas caipiras, da comunidade indígena Kiriri de Araçás, além de visitar uma unidade de beneficiamento de mandioca, na aldeia Kiriri Marcação. Em Tucano, Território de Identidade Sisal, foi apresentada a experiência da Cooperativa de Apicultores de Tucano (Coapit).
A ação, que se encerra nesta quinta-feira (14), integra a Missão de Intercâmbio, com representantes de projetos financiados pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD/Banco Mundial), a partir de acordos de empréstimo com os governos da Bahia e de Moçambique.
Para o assessor da CAR, Ivan Fontes, a visita de campo da missão foi uma oportunidade para ver o funcionamento de organizações produtivas e o impacto e benefícios gerados pelos investimentos e ações do Governo do Estado: "Estamos felizes em ajudar Moçambique no planejamento e execução de suas ações voltadas para o desenvolvimento rural, uma vez que o projeto Bahia Produtiva, executado pela CAR, é um bom exemplo de política pública com bons resultados no apoio a cooperativas e associações a se desenvolverem".
O técnico de Desenvolvimento de Negócios do Fundo Nacional do Desenvolvimento Sustentável de Moçambique, Leonardo Buchili, destacou que a experiência está muito boa: "Visitamos iniciativas que promovem os negócios nas comunidades. O modelo que a CAR está introduzindo nas comunidades é muito bom. Há organização e comprometimento das pessoas das comunidades. Percebe-se que elas se apropriam da ideia. A componente de assistência técnica que é feita pela CAR, e pelo agente comunitário rural e assistente territorial, que acompanham as atividades, estimulam para que o sucesso do projeto aconteça". Ele observa ainda que o grupo conheceu várias iniciativas, entre elas a de criação de galinha caipira e quintais produtivos: "As condições são parecidas, então temos boas práticas para levar para Moçambique".
Para o cacique da etnia Kiriri, Manoel Batista, a visita dos representantes de Moçambique é muito importante, pela troca de experiências com outros países, sobre o apoio e o investimento do governo estadual, municipal e federal, realizado de forma planejada, de acordo com as necessidades da família e da associação: "Quando o investimento é aplicado com sinceridade, com pessoas capacitadas, o resultado vem, faz com que a gente se desenvolva mais e nos motiva na execução dos projetos. O Governo está presente e veio ver de perto o que foi investido. Eles irão levar daqui a verdade, pois a gente investiu e tá dando certo na comunidade, e irão levar esse conhecimento para outras comunidades, que estão precisando se organizar, acessar os recursos públicos não só aqui no Brasil. Que os representantes de Moçambique possam levar esse conhecimento. Espero encontrar eles no futuro e saber que deu certo lá também".
Em Tucano, o grupo conheceu ainda a experiência da Cooperativa de Crédito Rural (Cooperar), vinculada à Central de Cooperativas de Crédito (Ascoob), uma das instituições financeiras credenciadas pelo Bahia Produtiva visando a realização de serviços bancários, para a operacionalização dos convênios, e visitou o Armazém da Agricultura Familiar no município de Tucano.
Participaram da programação a prefeita de Banzaê, Jailma Dantas, a equipe técnica da Prefeitura de Banzaê, e da Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (Arcas), instituição, selecionada via chamada pública, para prestar o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater), aos agricultores familiares atendidos pelo projeto, no Território de Identidade Semiárido Nordeste II.
Bahia Produtiva
Garantir sustentabilidade e inclusão socioprodutiva a famílias de comunidades rurais baianas são algumas das finalidades do Bahia Produtiva. Nos últimos quatro anos, o projeto selecionou 874 projetos em toda a Bahia, totalizando investimentos de aproximadamente R$290 milhões, beneficiando diretamente mais de 28 mil famílias.
O Bahia Produtiva se diferencia de outros projetos não só por aplicar recursos para investimentos produtivos, mas também por ofertar um serviço sistemático de Ater e apoio à gestão, ações de promoção de produtos sustentáveis e acesso a mercados, estratégia de alianças produtivas e aporte a políticas públicas complementares.