Vida sobre a Terra foi o tema debatido na Mesa Redonda realizada na manhã desta terça-feira (28), durante a Mostra Interterritorial Científica e Tecnológica da Bahia: Tecnologia, inovação e vivências no rural. O evento, que acontece no formato online, está sendo transmitido pelo Canal do Instituto Anísio Teixeira, no Youtube, e segue até a próxima sexta-feira (31). A programação integra a 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com o tema Bioeconomia: diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável, e é voltado para estudantes, pesquisadores, extensionistas, agricultores e agricultoras experimentadores e representantes de povos e comunidades tradicionais.

De acordo com José Tosato, coordenador da Cepex, o debate trouxe questionamentos críticos sobre a bioeconomia - aproveitamento econômico da natureza, que tem diferentes aspectos, podendo ser relativo ao agronegócio, degradação do meio ambiente, ou da relacionad aos elementos da natureza: sol, solo, água, terra: "Com a Mostra, temos essa visão crítica, pois a bioeconomia que defendemos é a que trata da sociobiodiversidade, da conservação das florestas, da Caatinga em pé, do uso sustentável dos biomas, sem empobrecer a biodiversidade, e com manejo adequado, a exemplo do uso sustentável dos pescados, nos ambientes dos rios, mar e mangue, onde as comunidades só utilizam espécies que consigam manter aquele ecossistema”.
O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Henrique Tomé da Costa, destacou a importância do capital humano, do respeito à diversidade, da inclusão social, da valorização da ciência e dos conhecimentos populares. Ele enfatizou ainda a necessidade de as comunidades terem consciência de sua existência e entender os problemas que estão no seu entorno, com pessoas que mostrem que se pode utilizar da natureza de uma forma sustentável sem promover uma acumulação capitalista tanto do lado do consumo, quanto do lado da produção: “Uma mudança efetiva só poderá ocorrer mediante a um processo construtivo de natureza educacional, que permita às pessoas desenvolverem um senso crítico. Isso é a principal força transformadora”.
A Mesa, mediada por Saulo Souza, da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater/SDR), contou com a participação de Cristiane Souza, professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Brasileira (Unilab), de Aurea Stela Medeiros, do Grupo Cultural Lindromar Axé, e Alva Célia Medeiros, do Terreiro Angurusena Dya Nzambi. A programação desta terça-feira ainda conta com a realização das Mesas Redondas sobre os temas Nexus Água, Alimentos e Energia e Educação no Campo e Quilombola.
A iniciativa é da Rede Baiana de Ensino, Pesquisa e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural, a partir de parceria entre a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Coordenação Executiva de Pesquisa Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), Bahiater, e Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR); Secretaria de Educação (SEC); Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti); Unilab; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); o Instituto Federal Baiano (IFBaiano); e o Centro de Cultura do Vale do Iguape (CECVI). O evento conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O objetivo é aproximar a Ciência e Tecnologia da população, a partir de conhecimentos e pesquisas acadêmicas e de experiências de povos e comunidades tradicionais. Para conferir a programação completa acesse: http://mostrainterterritorial.unilab.edu.br/#.