Foi encerrada, nesta segunda-feira (23), com o debate sobre Multidisciplinaridade para uma ATER Agroecológica, o curso a distância sobre Metodologias de Ater, no âmbito do Plano Estadual de Formação (Formater). Dessa vez, a formação foi destinada a 130 agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater) que atuarão na Chamada Pública ATER Agroecologia, da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
A ação é realizada pela Bahiater/SDR, em parceria com a Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex/SDR). O debate contou com a participação de representantes das equipes da Bahiater/SDR, Cepex/SDR, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), e da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Laetícia Jalil, e da pós-doutoranda pelo programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da UFRRJ, Rodica Weitzman.
A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Bahiater, Maria Auxiliadora Alvim, destacou a importância da formação: “Considerando que 60% destes participantes possuíam de zero a cinco anos de experiência com Ater, podemos afirmar que estes cursos estão fazendo a diferença na qualificação do trabalho no campo. Essas equipes multidisciplinares vão visitar as unidades familiares e as comunidades respeitando a diversidade cultural, valorizando o trabalho da mulher e buscando a construção coletiva e participativa, para um desenvolvimento rural efetivo, por meio da agroecologia”.
Ariane Araújo, agente de Ater, que irá atuar pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), no Território de Identidade Vale do Jiquiriçá, ressaltou que a formação foi maravilhosa e que a Bahiater se preocupou em trazer pessoas que de fato trabalhavam e entendiam sobre o assunto: "Mesmo sendo uma formação online, a Bahiater fez com que se tornasse participativa e dinâmica, preocupando-se com a qualidade do conteúdo e da transmissão. Por ser moradora de uma área de reforma agrária, tenho contato com a Ater, desde muito cedo, mas não atuando como técnica. Então, para mim foi fundamental reforçar as práticas que já conhecia, mas, agora de outra perspectiva, com uma formação interativa, leve e com conhecimentos".
Para Laetícia Jalil é uma importante decisão a da Bahiater de manter um processo de formação constante dos técnicos e gestores, especialmente neste período de pandemia, para que se mantenham animadas as equipes e em reflexão crítica e ativa sobre a importância do seu trabalho: “Falamos da Ater como um processo educativo e como política pública fundamental para o desenvolvimento rural sustentável, solidário, equitativo, democrático e que reconheça essa riqueza, mas, também, as desigualdades que são postas no mundo rural".
Jalil enfatizou ainda que Ater é também a porta de entrada para as políticas públicas de acesso à água, ao crédito e a uma educação contextualizada, além de ser também fundamental para uma mudança no olhar sobre as mulheres e a juventude e o seu papel, a produção agroecológica, a produção de alimentos, a segurança e a soberania alimentar, o acesso ao mercado, a relação com a natureza, os biomas e com os territórios, identidades e os distintos povos e suas culturas e espiritualidades.
Com carga horária de 30 horas, o curso abordou aspectos sobre a linha do tempo da Ater com questões como a de gênero, metodologias de Ater, diagnóstico da unidade familiar e da comunidade, planejamento estratégico da comunidade, cadernetas agroecológicas e sobre o Sistema de Cadastramento das Ações de Ater (SIGATER). Desde agosto 230 agentes de Ater já participaram desta formação e mais 50 agentes do Mais ATER Consórcio tiveram a formação sobre o sistema SIGATER.
O Formater
O Formater inovou com a alternativa de modalidade a distância, neste período de pandemia, envolvendo uma equipe de 18 profissionais, que atuaram como formadores(as), monitoria, suporte técnico para as salas de aula e a plataforma com material didático. Na avaliação dos(as) participantes, os objetivos foram atendidos, sendo expressos os conhecimentos adquiridos, por meio das explanações e da troca de experiências.