Dirigentes e equipe técnica de diversas áreas da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) participaram do encontro virtual sobre Abordagem Doméstica da Divisão Justa do Trabalho. A ação foi promovida, nesta quinta-feira (20), pela Superintendência de Agricultura Familiar (Suaf) e pela Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), unidades da SDR).
O evento contou com a participação de Adriana Nascimento, agricultora familiar agroecológica e diretora de Mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) e membro da Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Contag) e de Tarcila Del Castro Sushma, psicóloga, especialista em Teorias Psicanalíticas e mestra pelo Laboratório de Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília (UNB).
“A Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico se destaca como importante iniciativa da sociedade civil organizada, em parceria com o Governo do Estado da Bahia, por intermédio da SDR. A ação vem contribuindo para nossas reflexões enquanto indivíduos e atores sociais, frente às diferentes formas de violências domésticas ocorridas tanto no urbano, quanto no rural e que, neste período de pandemia, o que tem promovido a elevação do índice de feminicídio no Brasil”, afirmou Vinícius Videira, superintendente da Suaf.
Adriana Nascimento, que integra a Coordenação da Campanha Nacional pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, e é técnica agrícola e pós-graduada em Língua, Linguística Literatura, destacou que foi muito gratificante falar da Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, dentro de uma instância governamental.
“Sinto-me lisonjeada, por ser um departamento/Secretaria que trata das políticas públicas para o campo. Essa Campanha precisa de forças da sociedade civil, mas é estratégico que o Estado possa abraçar o propósito da Campanha. Então, vemos o envolvimento do Governo da Bahia como um ponto de partida fundamental, para alcançarmos avanços nesse sentido. A metodologia utilizada no encontro de hoje, trazendo profissionais de outras áreas para dentro desse debate, fortalece e credibiliza ainda mais esse movimento, que busca mudar hábitos e costumes constituídos em uma sociedade baseada no patriarcado, machismo, racismo, dentre tantos outros males. Que outras bahias surjam dentro dessa Campanha tão necessária, principalmente, em tempos de pandemia”, ressaltou Adriana.
De acordo com José Tosato, coordenador da Cepex, é necessário que todas as instituições públicas e privadas enfrentem problemas éticos históricos da sociedade, como a do machismo, que é um dos mais graves e tem impactos generalizados nas famílias, no mundo do trabalho, na política, em todas as áreas: “Os esforços coletivos das unidades da SDR, em se debruçar na campanha pela divisão justa do trabalho doméstico, podem mudar paradigmas, tirar todas e, principalmente, todos de suas zonas de conforto, evidenciando e valorizando o trabalho das mulheres no campo e na cidade. Há evidências concretas de que as mulheres estão sempre mais sobrecarregadas do que os homens. Basta observar. Já passou da hora de dar um basta nisso. A divisão sexual do trabalho ter que ser justa e humanizada em quaisquer circunstâncias”.
A campanha
A Campanha Nacional pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, idealizada pela RedeFeminismo e Agroecologia do Nordeste e GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), em parceria com diversas organizações da sociedade civil e movimentos sociais de mulheres, conta com o apoio da CAR/SDR, por meio do projeto Pró-Semiárido, desde 2018.