Alimentação Orgânica e Qualidade Nutricional foi o tema do encontro Diálogos de Ater desta quinta-feira (27). O evento integra a Semana do Alimento Orgânico, que acontece de 23 a 30 de maio, e a XVII Campanha Anual de Promoção do Produto Orgânico - Alimentos Orgânicos: Sabor e Saúde em sua Vida. A ação, que teve transmissão ao vivo, pelo Canal SDRBahia, no Youtube, é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater) e da Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex).
O evento virtual contou com a participação de Thiago Guedes, coordenador da Comissão da Produção Orgânica no Estado da Bahia (CPOrg/BA) e do Instituto Viverde e de Maria Olímpia Moraes, nutricionista e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IFBaiano), campus Uruçuca.
A coordenadora técnica da Bahiater, Ana Cristina Sousa, explicou que a superintendência e outras unidades da SDR participam da Comissão de Produção de Orgânicos (CPOrg/Ba) e das atividades da Semana e da campanha dos Alimentos Orgânicos que acontecem em todo o país. Ela ressaltou que o modo de produção orgânica interfere na vida não só dos consumidores, mas também na vida dos agricultores familiares. Ela fez um balanço sobre a situação atual da certificação orgânica na Bahia: “O número de produtores certificados no estado está em torno de 1.500 agricultores, mas a produção de orgânicos na Bahia tem crescido, em função da demanda por consumos de alimentos saudáveis e seguros”.

O coordenador da CPOrg/BA, Thiago Guedes, responsável pela mediação do encontro, destacou a importância da articulação entre o CPOrg/BA e a SDR, para ampliar o número de agricultores com potencial para se certificar em produção orgânica no estado: “É um público que já trabalha a agroecologia e a produção orgânica, ao longo dos últimos anos. Temos pensado e trabalhado, na Comissão de Produção Orgânica, para tentar articular e impulsionar o número de agricultores que podem ser certificados”.
Durante o encontro, foram apresentados os critérios para a certificação de produtos orgânicos, que inclui a produção sem utilização de agroquímicos, fertilizantes químicos, medicamentos veterinários, organismos geneticamente modificados, conservantes ou qualquer aditivo ou radiação.
Maria Olímpia, que também é especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional, reforçou que ainda é necessária a realização de estudos específicos sobre o poder cumulativo de substâncias como agroquímicos, no organismo, sobre os efeitos na função metabólica: “Já existem alguns estudos que mostram que essas substâncias interagem com os nutrientes e acabam diminuindo a absorção de nutrientes importantes”.
A professora falou da importância da valorização dos produtos orgânicos, produtos regionais, ecologicamente sustentáveis e de produção socialmente justa, e da importância de utilização desses alimentos para a Soberania Alimentar e Nutricional. Ela apresentou alguns efeitos provocados pelo consumo, em doses elevadas, de produtos com utilização de agroquímicos, aditivos sintéticos e corantes artificiais, entre outros, a exemplo do surgimento de doenças como mal de Parkinson, imunodepressão [redução da atividade do sistema imunológico], aborto, depressão, desordens neurológicas, alguns tipos de câncer, infertilidade, esterilidade, entre outras doenças ligadas aos processos metabólicos oxidativos e inflamatórios no organismo.

A Campanha
O intuito da campanha é a divulgação dos locais onde são comercializados os alimentos orgânicos, como são produzidos, além de divulgar para a população e consumidores quais os critérios para que os produtos sejam considerados orgânicos e como são reconhecidos no mercado diferenciando de outros produtos similares. Tem o objetivo ainda de apresentar quais os benefícios ambientais, sociais e nutricionais desses alimentos para a saúde.
O Diálogos de Ater
É uma série de encontros, que acontece todas às quintas-feiras, a partir das 16h, voltado para agentes que atuam na assistência técnica e extensão rural (Ater), agricultores e agricultoras familiares, organizações e movimentos sociais, terceiro setor, setores públicos municipais e estaduais, estudantes e todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a realidade rural e agricultura familiar da Bahia.