Mais uma comunidade quilombola do Território de Identidade Velho Chico, recebeu capacitação sobre o manejo de frangos e galinhas caipiras. Desta vez, o curso foi realizado na comunidade Quilombola de Água Fria, localizada no município de Serra do Ramalho, na última quinta-feira (12).
O curso, que tem carga horária de oito horas, é uma iniciativa da equipe da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), que atua no Território de Identidade Velho Chico, em parceria com a Secretaria de Agricultura do município. O objetivo é potencializar o investimento que está sendo realizado pelo Governo do Estado, por meio do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), voltado para a implantação de 20 aviários na comunidade.
O conteúdo contou com as etapas teórica e prática, apresentação e demonstração de como fazer um planejamento da criação de galinhas caipiras, como construir o aviário, confeccionar bebedouros, comedouros e ninhos, utilizando materiais da própria propriedade. A capacitação orientou sobre a preparação da vacina e como aplicá-la, seguindo um calendário de vacinação, além de ensinar a fazer o acompanhamento da produção, sabendo qual o custo da criação e o retorno financeiro que ela pode trazer.
“O curso foi pautado em uma criação agroecológica, visando os princípios do desenvolvimento sustentável. Esses conhecimentos transmitidos aos agricultores e agricultoras é de fundamental importância, para fomentar essa criação nas unidades familiares e, consequentemente diminuir o índice de mortalidade e aumentar a produtividade, com qualidade", explicou Ivani Santos, engenheira agrônoma e coordenadora da Bahiater, no Território Velho Chico, e responsável pela capacitação.
Luciene Pereira da Cruz, presidente da Associação da Comunidade Quilombola de Água Fria, agradeceu a oportunidade de participar da capacitação: “Gostei de todas as técnicas, conteúdos e dicas sobre o manejo de galinha caipira. Ela falou com simplicidade e todos os que estavam participando compreenderam. Espero que possamos colocar em prática tudo de bom que nós aprendemos, nas questões do galinheiro, da forma como cuidar das galinhas e como vacinar. Muito bom. Só temos a agradecer, em nome da associação”.
Na programação, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a diferença da criação no sistema caipira e o frango industrial, e olhar a atividade da criação de galinhas caipiras não só como uma fonte de segurança alimentar e nutricional, mas também como alternativa de geração de trabalho e renda para as famílias da comunidade.
O curso abordou as várias fases da criação das galinhas caipiras, como os manejos sanitário e alimentar, das poedeiras e dos ovos. Também abordou a produção de ração, com plantas existentes na região, como leucena, moringa, mandioca, algaroba e tantas outras, reduzindo os custos com ração.
Os participantes tiveram ainda a oportunidade de aprender a produzir fitoterápicos caseiros, para a prevenção de doenças, com a utilização de bananeiras, sementes de abóbora, melancia, mamão, água com alho ou limão. Foram ensinadas várias receitas para que os agricultores possam fornecer às aves, além da orientação sobre como identificar os machos e fêmeas logo nos primeiros dias, identificar as aves que já estão em postura ou não e fazer a seleção de matrizes e reprodutores já existentes na propriedade.